Faltam morfina e analgésicos em hospitais do Haiti

Genebra, 29 jan (EFE).- Os hospitais no Haiti estão com falta de produtos essenciais, inclusive morfina e analgésicos, para as dezenas de pessoas que diariamente precisam fazer amputações, assim como para os feridos por causa do recente terremoto, disse à Agência Efe uma porta-voz da ONU.

EFE |

A porta-voz do Escritório para a Coordenação de Assuntos Humanitários (Ocha) da ONU, Elizabeth Byrs, revelou que as 18 instalações hospitalares que funcionam em Porto Príncipe realizam entre 40 e 50 amputações diárias, sem que os pacientes recebam nenhum remédio para aliviar a dor após o efeito da anestesia.

Além disso, indicou que não há problemas de segurança graves em Porto Príncipe, mas incidentes menores isolados, sobretudo quando uma grande multidão se amontoa ao redor de um ponto de distribuição de alimentos.

Uma das tarefas principais das forças da ONU, dos Estados Unidos e da Polícia haitiana é justamente a proteção dos comboios durante seu percurso e durante a distribuição da ajuda.

No entanto, reconheceu que um dos maiores temores das agências humanitárias é a "reconstituição dos grupos criminosos" que ficaram desarticuladas em consequência do terremoto.

Diversos indícios indicam que esses grupos "realizam uma nova divisão do poder", do qual participam parte dos criminosos que sobreviveram e escaparam das prisões que desabaram no Haiti.

Enquanto isso, mais de duas semanas após o terremoto, apenas 67% da população atingida e que perdeu tudo no desastre recebe comida das organizações de ajuda.

A ONU distribuiu ontem 458 mil refeições e outras 70 mil foram oferecidas por outras entidades, frente a mais de 1 milhão de pessoas que estão nas ruas.

Enquanto isso, há outro problema de grandes proporções: a necessidade imediata de abrigar as vítimas em acampamentos que muito provavelmente não suportarão a temporada de chuvas e furacões que se aproxima.

"Temos que agir rápido e, atualmente, os responsáveis da ONU avaliam qual é a melhor solução, porque sabemos que não se pode instalar as pessoas em abrigos temporários", disse Byrs à Efe.

Sobre isso, o porta-voz da Organização Internacional de Migrações (OIM), Jean-Philippe Chauzy, disse que, diante da urgência, planeja-se instalar acampamentos de até 10 mil ou 15 mil pessoas, com a ideia de levá-las depois a alojamentos mais sólidos.

"É preciso utilizar casas pré-fabricadas que suportem pelo menos um furacão", disse Byrs.

Outras opções estudadas são avaliar o estado dos edifícios que ficaram de pé para ver se as pessoas podem se instalar neles e apoiar a famílias cujas casas não se desabaram a receber mais uma família.

O terremoto de 7 graus na escala Richter que atingiu o Haiti ocorreu às 19h53 de Brasília do dia 12 de janeiro e teve epicentro a 15 quilômetros da capital, Porto Príncipe.

Pelo menos 21 brasileiros morreram na tragédia, sendo 18 militares e três civis, entre eles a médica Zilda Arns, fundadora e coordenadora da Pastoral da Criança, e Luiz Carlos da Costa, o segundo civil mais importante na hierarquia da ONU no Haiti. EFE is/an

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