Falta de recursos impediu acompanhar líder terrorista em Londres

Londres, 19 mai (EFE).- A falta de recursos humanos impediu que os serviços secretos britânicos fizessem um acompanhamento exaustivo de Mohammed Sidique Khan, o líder dos atentados de 7 de julho de 2005 de Londres, afirmou hoje um comitê parlamentar.

EFE |

Em um relatório sobre os ataques suicidas, nos quais 56 pessoas morreram - incluindo quatro terroristas suicidas -, o Comitê de Segurança e Inteligência da Câmara dos Comuns indicou que o MI5 (serviço de contraespionagem) não investigou mais nos antecedentes de Khan, apesar de saber que tinha vínculos com o terrorismo.

Segundo os deputados, o MI5 decidiu não investigar em profundidade o líder terrorista porque, além da falta de recursos, não achava que ele representasse uma ameaça direta.

Em seu texto, o segundo elaborado pelo comitê sobre aqueles ataques, os deputados qualificam de "assombroso" que o MI5 estivesse em condições de fazer uma vigilância "razoável" a apenas um de 20 suspeitos terroristas em 2004.

Diante desta situação, o relatório indica que os deputados não podem criticar as decisões do MI5 e da Polícia baseadas na informação e nas prioridades que tinham naquele momento.

"Achamos que se pode entender e foram razoáveis as decisões tomadas em 2004 e 2005", acrescentou o documento, que não foi divulgado integralmente.

O comitê parlamentar solicitou, no entanto, uma investigação sobre o que os serviços secretos e a Polícia sabiam ou não sabiam do complô para atacar o transporte público em Londres.

Os deputados ressaltaram que, dada a informação que o MI5 tinha sobre Khan, é "surpreendente" que não tenham feito um acompanhamento mais rigoroso.

Entre outros, o relatório revela que uma equipe da Polícia fotografou Khan em 2001 como parte de uma investigação sobre as atividades de suspeitos radicais.

Em seu primeiro relatório sobre os ataques, divulgado em 2006, o Comitê de Segurança e Inteligência da Câmara dos Comuns revelou que o MI5 conhecia dois dos quatro terroristas que participaram dos ataques em Londres - Shehzad Tanweer e Mohammed Sidique Khan -, mas não os investigou adequadamente.

Os quatro terroristas destes ataques em Londres - três de origem paquistanesa, um de procedência jamaicana e todos muçulmanos britânicos - atacaram três comboios do metrô de Londres e um ônibus.

Khan, de 30 anos; Tanweer, de 22 anos, e Jermaine Lindsay, de 19 anos e único envolvido de origem jamaicana, detonaram suas "mochilas-bomba" em três vagões do metrô.

Hasib Hussain, de 18 anos, detonou a quarta bomba em um ônibus em sua passagem pela praça de Tavistock, perto do Museu Britânico. EFE vg/an

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