Falta de diagnóstico da gripe suína em países pobres: grande preocupação da OMS

Há praticamente um mês, o mundo tomou conhecimento de uma epidemia, a gripe suína, com a Organização Mundial de Saúde (OMS) manifestando, através de seus especialistas, a preocupação com a falta de meios para diagnosticar os casos nos países em desenvolvimento.

AFP |

Para a diretora-geral da OMS, Margaret Chan, o vírus A(H1N1) da gripe suína é "sutil e sorrateiro" e será sem dúvida mais virulento nos países pobres do Hemisfério Sul.

"O que nos preocupa é que a maioria dos países em desenvolvimento não estabeleceu um sistema que possa indicar a presença do vírus da gripe suína A (H1N1)", declarou durante a semana à imprensa Ties Boerma, diretor do serviço de estatísticas de saúde da OMS.

"Na maioria dos países não há um sistema eficaz de informação sobre as causas das mortes", lamentou Boerma, ao apresentar o relatório estatístico anual da OMS sobre a evolução de 18 doenças infecciosas.

"Os países, principalmente os em desenvolvimento, onde as populações são mais vulneráveis, devem se preparar para casos mais severos que os constatados atualmente", advertiu nesta sexta-feira a doutora Chan.

Segundo ela, "a atual estação invernal (no Hemisfério Sul) dá aos vírus da gripe uma ocasião para se misturar e modificar seu material genético de forma imprevisível".

"A solidez do sistema de saúde de um país estabelecerá a diferença" entre uma simples doença e uma epidemia, destacou Chan ao encerrar uma semana de trabalhos da Assembleia da OMS dominados pela ameaça de pandemia da gripe A(H1N1).

A diretora da OMS pediu aos Estados membros da organização que adaptem seus dispositivos às circunstâncias, uma vez que "os planos mais bem elaborados devem ser fluidos e flexíveis quando um vírus aparece e começa a mudar as regras do jogo".

Nesta sexta-feira, a OMS anunciou que a epidemia de gripe suína se propagou a dois novos países, as Filipinas e Honduras, elevando o total a 43 nações no mundo. E citou 11.168 casos de contaminação pelo vírus mutante A (H1N1) em 42 países e 86 mortos.

Quase 100 novos casos foram registrados nas últimas 24 horas, a maioria nos nos Estados Unidos, Japão e Chile, o país mais atingido da América do Sul.

O especialista Ties Boerma citou, como exemplo, o fato de os países pobres não terem meios para recolher informações sobre os casos de meningite, raiva ou outros tipos de gripe.

"Há, portanto, um enorme buraco negro. Trabalhamos com nossos parceiros para reduzi-lo, mas ainda resta muito a ser feito", afirmou.

Um relatório da OMS revela que a gripe aviária, assim como a malária ou a encefalite japonesa, são difíceis de diagnosticar de forma segura se não forem realizados testes em laboratório aos quais os países pobres dificilmente têm acesso.

O México, por exemplo, teve que recorrer a laboratórios canadenses para identificar o vírus da gripe A (H1N1).

"Temos as estatísticas mexicanas sobre a gripe, mas, na realidade, a maioria dos casos de gripe suína foram classificados como pneumonias", considerou o especialista da OMS.

Desde que o novo vírus gripal surgiu no México, os especialistas da organização temem que se alastre pelo Hemisfério Sul.

A maioria das formas gripais causa mais mortes entre as populações mais frágeis, justamente as que vivem nos países pobres.

pac/sd/fp

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