Falta de comida e medo de invasão na embaixada brasileira em Honduras

A escassez de alimentos piorava a cada momento nesta quarta-feira na embaixada brasileira em Honduras, refúgio do presidente deposto Manuel Zelaya, embora os serviços de água potável e energia elétrica tenham sido restabelecidos.

AFP |

Zelaya e seus seguidores na embaixada ainda temiam uma incursão militar à sede diplomática, mesmo que o regime de fato tenha prometido que não daria tal ordem.

"Recebi o respeito e a solidariedade do Brasil, mas me cercaram, estou como em uma prisão", disse Zelaya à AFP.

Zelaya admitiu que provocou inconvenientes não previstos aos diplomatas brasileiros.

"É que quando cheguei vieram milhares de pessoas (para a frente da sede diplomática), por isso está tudo alterado", disse.

Poucos hóspedes da embaixada conseguiram telefonar para suas famílias, em parte porque o regime de fato colocou antenas bloqueadoras de comunicações em torno do edifício, segundo Zelaya.

Outros não telefonam com medo de que seus parentes sofram represálias.

"Se alguém telefonar para a família corre o risco de ter a ligação rastreada", disse Benítez.

"Aqui ninguém dorme, pela tensão, por medo de uma invasão" por parte das forças militares que mantêm a sede diplomática sitiada desde terça-feira de manhã, disse Mario Padilla, um agricultor do departamento de Olancho, terra de Zelaya, e membro do Partido Liberal.

Também permaneciam as dificuldades para se conseguir material de higiene pessoal para os cerca de cem seguidores de Zelaya que permanecem na legação.

"Estamos em condições desumanas pelas dificuldades para a passagem de alimentos" do exterior para a embaixada, disse o escritor hondurenho Milton Benítez à AFP.

"Estamos com a mesma roupa, sem conseguir tomar banho, sem pasta de dente", explicou o escritor socialista, que relatou que cerca de 200 pessoas deixaram nesta quarta-feira a embaixada, mas que outras cem permaneciam.

"Neste momento comemos um pouco de pão com manteiga, alguns de nós não conseguiram, mas as mulheres puderam comer", acrescentou Benítez, que permanece na embaixada desde segunda-feira.

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