Falta comida na embaixada do Brasil em Honduras

Depois do corte de água, energia e telefone, que já foram parcialmente reestabelecidos, a falta de alimentos começa a afetar as pessoas que se refugiaram na embaixada do Brasil em Tegucigalpa acompanhando o presidente deposto Manuel Zelaya, que retornou ao país na segunda-feira, depois de mais de três meses no exílio.

BBC Brasil |

Reuters
Apoiadores de Zelaya deixam a embaixada brasileira

Apoiadores de Zelaya deixam a embaixada brasileira

A assessoria de imprensa do Ministério das Relações Exteriores disse à BBC Brasil que a comida já era pouca desde a noite da segunda-feira. A situação se agravou nesta terça-feira, quando militares sitiaram a sede da diplomacia brasileira no país reprimindo os manifestantes que estavam nos arredores.

A entrada e saída de pessoas é proibida porque está em vigor um toque de recolher, prorrogado até as 6h da quarta-feira.

O padre Andres Tamayo, que acompanha Zelaya na embaixada, disse à BBC Brasil que a situação no interior do edifício "é grave". "Depois de asfixiar-nos com gás lacrimogêneo, começamos a sofrer com a falta de água e de comida", afirmou.

Tamayo disse que durante a tarde alguns manifestantes conseguiram romper o cerco militar e passaram um pouco de alimentos e água potável pelos portões da sede diplomática. "Mas ainda é insuficiente, somos 300 pessoas confinadas aqui e o pouco que as pessoas podem trazer, vamos repartindo".

O Itamaraty nega que a embaixada esteja abrigando tantas pessoas. O próprio chanceler Celso Amorim disse nesta terça-feira em Nova York que apenas cerca de 70 pessoas estão no local.

Tensão

A assessoria do Itamaraty também confirmou que a única comida que havia chegado à embaixada brasileira foi levada para lá por manifestantes.

Além de Zelaya, estão no prédio o encarregado de negócios da embaixada brasileira, Francisco Catunda Rezende, quatro funcionários brasileiros, simpatizantes de Zelaya e membros de seu gabinete.

O padre Tamayo disse que o clima no interior da embaixada é de tensão. "Estão todos muito nervosos, os militares continuam lá fora e as ameaças de que vão invadir a embaixada continuam."

Apesar da pressão militar, a vice-chanceler do governo interino de Honduras, Martha Alvarado, disse que o Exército não pretende invadir a sede diplomática brasileira.

Também de dentro da embaixada brasileira, o jornalista americano Andrés Contreras disse que a "repressão de hoje de manhã foi brutal, mas nada se comparada com o que fizeram lá fora".

Mortos

De acordo com o presidente do Comitê para a Defesa dos Direitos Humanos, Andrés Pavon, duas pessoas foram mortas durante a ação militar que expulsou milhares de manifestantes dos arredores da embaixada. A informação não foi confirmada oficialmente.

"Outras centenas de pessoas, entre pelo menos 30 feridos, estão detidas em cárceres improvisadas em centros esportivos, custodiadas por militares, violando claramente a legislação", disse Pavón à BBC Brasil.

A polícia afirma que 150 pessoas foram presos após os distúrbios em frente à embaixada brasileira. Já organizações de direitos humanos como Codeh e Cofadeh, falam de pelo menos 300 detidos.

O presidente do Codeh disse ainda que está negociando com chefes militares uma autorização para ingressar alimentos à embaixada do Brasil e a possível saída de um grupo de pessoas.

"É um estado absoluto de impunidade e brutalidade. Não temos garantias de direitos algum", acrescentou. Os aeroportos de todo o país continuam fechados.

O governo interino responsabilizou, na segunda-feira, a Zelaya e ao governo do Brasil por atos de violência que ocorressem em decorrência do retorno do presidente deposto e de seu refúgio na embaixada do Brasil.

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