terrorismo é um tabú na Ásia central chinesa - Mundo - iG" /

falar de terrorismo é um tabú na Ásia central chinesa

Sob o sol de chumbo de Xinjiang, no extremo ocidental muçulmano da China, falar de terrorismo, a poucos dias da abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim, basta para terminar imediatamente uma conversa amistosa.

AFP |

Em Aksu, uma cidade situada no deserto, alguns uigures barbudos, pertencentes à etnia de língua turca majoritária em Xinjiang, se fecham em silêncio quando são perguntados pelos grupos islamitas locais, apresentados por Pequim como uma das principais ameaças terroristas aos Jogos Olímpicos (8 a 24 de agosto).

"Todos os uigures ouviram falar deles. E muitos de nós simpatizamos com eles", responde um deles em voz baixa, depois de um longo silêncio.

No entanto, é impossível saber quais são esses grupos e se são perigosos, inclusive em pleno coração do território uigur.

A China, em várias ocasiões neste ano, acusou os militantes uigures do Movimento Islâmico do Turcomenistão Oriental (MITO), uma organização catalogada como terrorista pela ONU em 2002, de ter planejado atentados contra os JO, que começam na próxima sexta-feira. Por isso, as autoridades chinesas reforçaram a segurança, tanto em Xinjiang como no resto do país.

Em Aksu, nas proximidades da fronteira com o Quirguistão, a polícia é onipresente. Nas estradas, os veículos são parados amiúde para revistas nas barreiras.

Mesmo que os grupos de exilados falem de prisões, nenhuma das pessoas entrevistadas pela AFP conseguiu confirmar estas informações.

Tahir, um jovem habitante de Aksu, considera que o forte deslocamento do efetivo policial seria suportável se os militantes uigures tivessem capacidade para golpear a China durante os JO.

Mas quando se lhe faz uma pergunta mais precisa, responde com outra, o que é um costume dessa região. "Queremos saber mais sobre eles, o que você pode me dizer?".

No mês passado, um grupo separatista uigur, o Partido Islâmico do Turcomenistão (PIT), reivindicou vários atentados, entre eles o ataque a um ônibus em Xangai em maio, e ameaçou a China com novos atentados durante os Jogos.

Uma pura invenção, segundo as autoridades.

No entanto, para Rohan Gunaratna, especialista em terrorismo internacional de Cingapura, o PIT e o MITO são na realidade a mesma organização. E, ainda que considere crível a ameaça do PIT, estima que o grupo não tem meios suficientes para atacar objetivos olímpicos.

Segundo Gunaratna, a reação chinesa à reivindicação do PIT se explica pela vontade de Pequim de não alimentar inquietações pouco antes da abertura dos JO. "Agora a China se preocupa por tudo o que possa afetar o ambiente olímpico", sustenta Gunaratna.

James Millward, especialista de Xinjiang na Universidade de Georgetown em Washington, fala de "fanfarronada".

"Ainda não encontrei nenhum especialista que tenha provas da existência de um grupo terrorista ou separatista do Turcomenistão oriental de importância e organizado no interior ou no exterior da China", disse Millward.

dma/frb/nh/

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG