Facebook é vital na estratégia online de Obama para reeleição

Equipe diz que, se a campanha de 2008 pôs a eleição online, a deste ano personalizará mensagem por meio do uso eficiente da base de dados

Carolina Cimenti, de Nova York |

Carolina Cimenti
E para D: Andrew Rasiej, do Personal Democracy Forum, o diretor da área digital da campanha de Obama, Teddy Goff, e o chefe da estratégia digital, Joe Rospars
A campanha eleitoral do presidente americano Barack Obama em 2008 revolucionou o mundo político ao arrecadar mais de US$ 5 bilhões em doações pequenas feitas via online. Neste ano, os organizadores da campanha de reeleição do presidente prometem realizar uma nova revolução e, para isso, as mídias sociais, principalmente o Facebook, serão fundamentais.

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“A diferença entre a campanha de 2008 e a de agora é que, há quatro anos, conseguimos unificar a campanha online com a campanha fora da web. Dessa vez não há unificação, mas simplesmente uma única campanha”, disse ao iG o diretor de toda a parte digital da campanha de Obama, Teddy Goff, referindo-se principalmente à base de dados de doadores, voluntários e eleitores simpatizantes do presidente.

Nos próximos meses, a equipe da campanha convidará todo e qualquer eleitor a seguir a página oficial de Obama no Facebook. Todas as comunicações sobre a agenda da campanha, as reuniões com voluntários, os discursos do presidente, fotos, vídeos etc. serão distribuídos por meio da rede social. O detalhe fundamental é que, ao seguir a página do presidente, o internauta automaticamente transferirá diversas informações importantes diretamente à equipe de Obama, como sua idade, localização, escolaridade e profissão.

Concentrada em Chicago, no quartel general da campanha Obama 2012, uma centena de profissionais especializados em traduzir base de dados (estatísticos, matemáticos, engenheiros, especialistas em mídias sociais e internet) elabora estratégias diferentes para lidar com cada grupo de eleitores. “Se 2008 foi o ano que colocou a eleição online, 2012 é o ano do uso eficiente da base de dados. A mensagem é personalizada, não a mesma para todos os eleitores”, afirmou Goff depois de uma apresentação sobre o tema na Social Media Week de Nova York.

Se a equipe da campanha enviar um e-mail sobre a Guerra no Iraque , por exemplo, e 50% dos emails não foram nem abertos, esses 50% não receberão mais informações sobre o Iraque. Eles passarão a receber outros tipos de informações sobre o presidente, até que se interessem por algum tema e abram o email. Esse tipo de detalhamento sobre o perfil de cada eleitor é uma mina de ouro política.

“Se acertarmos na comunicação com as pessoas, passarão adiante a nossa mensagem, e aí é que está o segredo: é muito mais efetivo ser persuadido a frequentar eventos da campanha por um amigo do que pela campanha em si. E as mídias sociais são vitais nesse tipo de comunicação”, disse Goff. 

Essa base de dados extremamente detalhada é o cérebro de toda a operação, mesmo da campanha fora da web. Qualquer funcionário da equipe, seja ele o diretor-geral da campanha, Jim Messina, seja o organizador local da cidade de Nova Jersey, se beneficiarão ao saber mais sobre os eleitores ao seu redor. Até porque outra estratégia fundamental da campanha é a interação entre a equipe e os voluntários.

O chefe de toda a estratégia digital de Obama 2012, Joe Rospars, disse ao iG que eles estão preparados para auxiliar qualquer pessoa que queira ajudar, seja montando um site de apoio ao presidente, abrindo uma página sobre ele no Facebook ou organizando um pequeno evento para levantar doações entre amigos. “Seja com programadores de internet, ou enviando banners e cartazes, a equipe da campanha ajudará sempre que fizer contatos, inclusive pessoalmente”, afirmou Rospars.

O potencial dessa estratégia gigantesca vem mostrando resultados antes mesmo de a campanha ser lançada oficialmente (o que só ocorrerá em maio ou junho, depois que o candidato republicano for anunciado ).

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A campanha já arrecadou mais de 1,4 milhão de doações unitárias online, sendo que 98% delas é de menos de U$ 250. Nessa mesma fase da campanha em 2008, não havia sido arrecadada nem a metade. Não se trata exatamente de uma surpresa. Em 2008, 40 milhões de americanos usavam Facebook. Hoje, são 160 milhões, praticamente o mesmo número de eleitores registrados no país.

AP
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Segundo Andrew Rasiej, fundador do Personal Democracy Forum, o grande problema do levantamento de toda essa base de dados durante a eleição é o risco de desrespeitar os direitos ligados à privacidade dos eleitores. “A equipe ainda não sabe que fim essa informação terá uma vez que a eleição acabar. É um tópico muito sério e que precisa de transparência”, alertou Rasiej. 

Outro ponto delicado da campanha, que Goff e Rospars não quiseram comentar, é como a equipe alimentará novamente a euforia dos voluntários e da campanha de 2008, quando os EUA e o mundo inteiro pareceram abraçar o famoso slogan “Yes, we can” (Sim, nós podemos). Em outras palavras, como a equipe colocará o “we” (nós) novamente na campanha, para não parecer uma simples reeleição, mas sim uma nova "revolução popular", como aconteceu quatro anos atrás.

“Não se preocupe, estamos trabalhando nisso. O dia que a mensagem não vier do coletivo, do ‘nós’, ela não fará mais sentido”, respondeu Goff, mantendo o mistério.

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