Facebook e Twitter, antagonistas políticos na internet chinesa

Antonio Broto Pequim, 8 jun (EFE).- Dois dos fenômenos da internet atual, o site de relacionamentos Facebook e a ferramenta de microblogging Twitter se envolveram, sem querer, na política chinesa, embora por dois caminhos bem diferentes.

EFE |

Enquanto o Facebook se transformou em veículo de apoio ao primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao (uma página nessa rede criada em homenagem ao político comunista se transformou em uma das mais visitadas), o Twitter foi o veículo escolhido por alguns dissidentes para expressarem suas idéias.

O Twitter é uma ferramenta na qual os usuários podem enviar mensagens - através do telefone celular ou da internet - de no máximo 140 caracteres que ficam disponíveis para toda a comunidade de "twitters".

Já o Facebook é uma rede social - similar ao popular Orkut - na qual é possível publicar grande quantidade de fotos e compartilhar links de vídeos.

O grupo de Wen Jiabao no Facebook (www.facebook.com/pages/-Wen-Jia-bao/13823116911?ref=s) já tem cerca de 48 mil partidários e o ritmo aumenta rapidamente com o acréscimo de milhares por dia.

Wen Jiabao é nesta rede o sexto político com mais "fãs", na frente do presidente americano George W.Bush e do líder francês Nicolas Sarkozy, embora todos estejam ainda muito longe do candidato democrata americano, Barack Obama, que já conta com mais de 900 mil admiradores.

Entretanto, a página de apoio a Wen foi criada no mês passado, período no qual o primeiro-ministro visitou a região afetada pelo terremoto de Sichuan no dia 12 de maio.

As imagens do líder político chorando com as vítimas e tentando consolar as pessoas ainda presas aos escombros deram a volta ao mundo e sua popularidade aumentou de forma meteórica.

É desconhecida a identidade de quem criou a página de Wen e é pouco provável que tenha sido o próprio primeiro-ministro, mas os internautas não se importam: eles acreditam que falam diretamente com o governante e a maioria lhe envia mensagens de agradecimento e admiração, embora não falte uma ou outra crítica.

"Sempre estaremos com você. Amamos você!", diz um dos comentários deixado por um cidadão de Hong Kong que assina como "Kiko Lau", enquanto outro internauta apelidado de Michael Tse agradece a "grande humanidade ao visitar sempre pessoalmente as regiões atingidas por desastres".

Wen, sorridente e amigo das multidões, sempre foi um político bastante popular entre os chineses, ao contrário da atitude de seu único superior, o presidente Hu Jintao, que sempre manteve uma certa frieza e distanciamento do povo.

"Vemos Hu como um presidente, como um pai", declarou Chen Xi, uma jovem da província de Sichuan.

No lado oposto da política chinesa, famosos dissidentes também tentam usar a internet para expressar suas idéias, já que não possuem voz nos meios de comunicação, fortemente controlados por Pequim.

Alguns escolheram os blogs, caso do famoso ativista Hu Jia, que está preso desde dezembro de 2007. Entretanto, diante do bloqueio de muitos blogs, algumas pessoas começaram a usar o Twitter, cujo acesso por enquanto não está limitado na China.

Entre os críticos à Pequim que começaram a usar esta ferramenta está a mulher de Hu Jia, Zeng Jinyan, outra conhecida dissidente e blogueira.

Sua conta (twitter.com/zengjinyan) substituiu os e-mails que habitualmente ela e seu marido mandavam aos jornalistas, nos quais informavam sobre a sua prisão domiciliar e o assédio das autoridades.

Em suas últimas mensagens de Twitter, Zeng informava que a vigilância policial contra ela e sua filha tinha aumentado, além de se queixar de assédio físico dos policiais.

Embora seu blog esteja bloqueado na China, ela ainda o mantém e usa a ironia para falar dos que a perseguem: "Queridos policiais: estão no pátio com suas bicicletas estacionadas e esperam ordens. No inverno agüentam o vento frio, no verão as picadas dos bichos, não têm nenhum dia livre", declara, com um estilo que a tornou famosa mundialmente.

Outras contas do Twitter tentam lembrar os internautas da situação de alguns dissidentes chineses, como uma dedicada a pedir a libertação de Hu Jia (twitter.com/freehujia).

A China alcançou no final do mês de fevereiro 221 milhões de usuários de internet, superando pela primeira vez os 215 milhões dos EUA e passando a ser a maior comunidade do mundo, apesar das muitas limitações que a rede tem no país asiático.

A internet se transformou na China no meio a comunicação preferido pelos mais jovens, já que, apesar do controle estatal dos conteúdos, é ainda o melhor veículo para a discussão e expressão de idéias no país asiático. EFE abc/bm/fal

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