Facebook compra site com ferramenta de busca e desafia Google

O site de relacionamentos sociais Facebook comprou o site de compartilhamento de conteúdo FriendFeed, que permite aos usuários dividir instantaneamente informações encontradas na net, desafiando o domínio do Google, segundo especialistas da indústria. A expectativa era de que o próprio Google ou o Twitter comprassem a companhia, que vem sendo elogiada por sua ferramenta de busca em tempo real.

BBC Brasil |

Este tipo de ferramenta é valorizada porque permite ao usuário saber o que está acontecendo neste momento, em qualquer assunto.

"Google, abre o olho, o Facebook sabe que o dinheiro de verdade está na busca em tempo real", disse o especialista e respeitado blogger Robert Scoble.

"O Google é o rei das buscas regulares. O FriendFeed é o rei das buscas em tempo real. Isso torna muito mais interessante a batalha que vem por aí", disse Scoble à BBC News.

Em maio passado, o fundador do Google, Larry Page, admitiu que a gigante de buscas ficou atrás de outros serviços online, como o Twitter, que conta com quase 45 milhões de usuários em todo o mundo.

"As pessoas realmente querem fazer as coisas em tempo real e creio que eles (Twitter) fizeram um grande trabalho", disse Page, admitindo que o Google ficou para trás neste campo.

Tiro de advertência
Outros analistas do Vale do Silício concordam que a compra mudou o jogo.

"O Facebook não conseguiu comprar o Twitter, então, esta é a segunda melhor opção", disse Ben Parr, editor associado do Marshable, um blog de notícias que cobre mídias sociais.

"O FriendFeed é conhecido por ter tecnologia inteligente e poderosa que permite aos usuários agregar tudo o que eles fazem online, e fazê-lo em tempo real."
"Com esta aquisição, o Facebook está atirando diretamente não apenas contra o Twitter, mas também o Google. Este é um tiro de advertência para essas duas empresas", disse Parr à BBC News.

Scoble lembrou ainda que a ferramenta de buscas em tempo real do FriendFeed pesquisa um período de até 18 meses, em comparação com apenas alguns dias no Twitter.

Há algum tempo, analistas do Vale do Silício vêem o FriendFeed como uma inspiração para muitos dos aplicativos do Facebook.

Entre eles está a habilidade de importar atividades de outros serviços, como o YouTube e o Flickr, além de permitir aos usuários comentar o conteúdo postado por outros e dizer se "gostam" ou "não gostam" de algum comentário.

"Na prática, o FriendFeed tem sido o departamento de pesquisa e desenvolvimento do Facebook, já há algum tempo", disse Scoble, um dos usuários mais populares do serviço, que conta com 46 mil assinantes.

"Eles têm a melhor comunidade de tecnologia na rede e o Facebook deve continuar a usá-los para testar novos aplicativos antes de transferi-los para o Facebook."
Negociações
As empresas já vinham conversando há dois anos, mas mesmo assim, a compra pegou muita gente de surpresa no Vale do Silício.

O co-fundador do FriendFeed, Bret Taylor, admitiu que foi um negócio de última hora.

Analistas da indústria esperavam que o Google fizesse uma proposta de compra, principalmente porque o FriendFeed foi fundado por ex-funcionários da empresa.

"O FriendFeed aceita o pedido de solicitação de amizade do Facebook", anunciou Bret Taylor, brincando com a linguagem do site de relacionamentos.

"Como minha mãe me explicou, quando duas companhias se amam muito, elas formam um veículo estruturado de investimento", continuou ele em seu blog.

"Nossas companhias têm uma visão comum. Agora temos a oportunidade de trazer muitas das inovações que desenvolvemos no FriendFeed para os 250 milhões de usuários do Facebook mundo afora."
O fundador do Facebook, Mark Zuckeberg, também elogiou a compra.

"Desde que usei o FriendFeed pela primeira vez, admirei sua equipe por criar um serviço tão simples e elegante para que os usuários pudessem compartilhar informações."
"Como isso mostra, nossa cultura continua a fazer do Facebook um lugar onde os melhores engenheiros vêm para construir coisas rapidamente, que muitas pessoas vão usar."
Como parte do acordo, todos os funcionários do FriendFeed vão ser aproveitados pelo Facebook e os quatro fundadores da empresa vão ter cargos de liderança nas equipes de engenharia e produto do site de relacionamentos.

O FriendFeed vai continuar funcionando de forma independente, pelo menos por enquanto.

"Eventualmente, de um jeito ou de outro, é difícil crer que o FriendFeed vai continuar a existir como existe hoje", disse MG Siegler, do site de notícias TechCrunch, do Vale do Silício.

"O Facebook vai começar a usar tanto do tempo do FriendFeed que ele vai perecer. É triste, mas é a rede. Nem todos os serviços podem florescer. Simplesmente, não há usuários com tempo suficiente para usar todos eles."

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