Facções palestinas estão divididas sobre trégua em Gaza

Gaza, 28 jun (EFE) - As facções palestinas demonstraram hoje publicamente as divergências que existem em relação ao cessar-fogo em Gaza obtido com Israel há nove dias, o qual duas delas -os braços armados do Fatah e da Jihad Islâmica- já violaram.

EFE |

Apesar de todas as facções terem se comprometido a respeitar os termos da trégua, a Jihad Islâmica violou-os na segunda-feira ao lançar foguetes Qassam e de morteiro contra Israel em resposta à morte de um de seus líderes pelo Exército israelense na Cisjordânia, onde não vigora o fim das hostilidades.

Israel fechou, então, as passagens fronteiriças com Gaza que havia reaberto em virtude do acordo, enquanto as Brigadas dos Mártires de Al-Aqsa, braço armado do Fatah, lançaram novos projéteis.

Em virtude do acordo, alcançado com mediação egípcia em 19 de junho, as milícias palestinas não podem lançar foguetes Qassam e bombas contra Israel, que deve, por sua vez, suspender as operações militares em Gaza e levantar, progressivamente, o bloqueio a esse território.

Israel descumpriu em sete ocasiões o fim das hostilidades, principalmente com disparos contra agricultores palestinos -que se dirigiam para cultivar suas terras perto da cerca entre Gaza e o Estado judeu- e contra pescadores, pois a Marinha israelense controla o espaço marítimo da Faixa.

O Hamas, o movimento que controla Gaza e elaborou o atual cessar-fogo, criticou hoje firmemente as duas milícias que violaram um acordo que tinham prometido respeitar e que serve ao "interesse nacional" palestino.

Um de seus principais dirigentes e artífices do acordo, o ex-ministro de Assuntos Exteriores da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Zahar, disse hoje que o Hamas se reuniu com o resto das facções para pedir que respeitem a trégua.

"Tínhamos acordado com a Jihad Islâmica que todo aquele que violasse a trégua, mesmo que fosse do Hamas, seria detido e desarmado", explicou Zahar, antes de qualificar o lançamento de foguetes em pleno cessar-fogo de "ato de sabotagem do programa de resistência".

Zahar revelou que as forças de segurança do Hamas detiveram milicianos que pretendiam boicotar o cessar-fogo com o roubo de maquinas em uma das passagens fronteiriças, disparos contra caminhões que introduziam bens na faixa e o lançamento de foguetes contra o terminal de Nahal Oz, por onde entra o combustível a Gaza.

Khaled al-Batsh, um dos principais dirigentes da Jihad Islâmica, insistiu hoje em que o movimento "se guarda o direito de vingar todos os crimes israelenses independentemente de onde ocorram".

Sobre o pedido do Hamas de consultar toda eventual resposta a uma ação militar de Israel, o líder da Jihad Islâmica ressaltou que toda violação israelense "requer uma vingança imediata sem coordenar com o Hamas".

Já os Comitês Populares da Resistência, grupo que apóia o Hamas nesta discussão, defendeu hoje em comunicado o direito a responder às agressões israelenses, mas sempre "com o consenso nacional".

Um dos integrantes da Frente Democrática para a Libertação da Palestina (FDLP), Saleh Naser, pediu um acordo entre as facções para estender a trégua à Cisjordânia, informou a agência "Ma'an". EFE sar/db

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