Fábrica paraguaia inicia greve por restrição de entrada de pneus no Brasil

Assunção, 15 abr (EFE) - Uma fábrica paraguaia de pneus recauchutados iniciou uma greve devido às cotas previstas pelo Brasil para a entrada deste tipo de produto em território nacional, informaram hoje fontes do setor.

EFE |

O brasileiro Orestes Pereira, da empresa Remodeladora Paraguaya de Neumáticos (Remodeladora Paraguaia de Pneus, em tradução livre), disse hoje à Agência Efe que a fábrica ficará fechada a princípio por 15 dias diante da impossibilidade de continuar operando.

O Brasil importa anualmente cerca de 250 mil pneus usados ou recauchutados para automóveis, sendo 130 mil do Uruguai e 120 mil do Paraguai.

A diplomacia paraguaia lembrou na segunda-feira que a imposição brasileira deriva de uma discordância suscitada perante a Organização Mundial do Comércio (OMC) "entre a União Européia e o Brasil, pela proibição do país às importações de pneus recauchutados de fora da zona" por motivos "ambientais e de saúde humana".

Pereira, que também é vice-presidente da Câmara Paraguaia de Reconstrutores de Pneus, disse que "há uma declaração da própria OMC de alguns anos atrás a qual diz que a melhor forma de reciclar um produto é dar-lhe um novo uso, e nós acondicionamos os pneus usados com a mesma segurança e garantia de um novo".

O brasileiro também comentou que atualmente só pode manter sete dos 34 operários com os quais contava em sua fábrica, já que não é possível ampliar sua cota de produção.

Pereira também explicou que outras duas fábricas estão em situação similar e que 350 pessoas podem ficar sem emprego se a restrição for mantida.

O Ministério das Relações Exteriores do Paraguai disse na segunda-feira em comunicado que o Governo do país "rejeita categoricamente a imposição de cotas e o mecanismo proposto pelo Brasil para a administração dos referidos contingentes". EFE rg/bba/db

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