Participantes da assembleia de Gualeguaychú marcharam pelo centro de cidade argentina para ratificar luta contra empresa

Os participantes da assembleia de Gualeguaychú marcharam neste sábado pelo centro da cidade argentina para ratificar sua luta contra a fábrica de celulose de capital finlandês instalada na localidade vizinha de Fray Bentos.

A mobilização foi convocada depois que o governo de Cristina Fernández de Kirchner advertiu que poderia levantar o bloqueio da ponte internacional Geral San Martín, que une Gualeguaychú a uruguaia Fray Bentos e que permanece fechada desde 2006 por ecologistas da cidade argentina, caso a Justiça obrigasse a isso.

"O bloqueio continuará porque muita gente segue apoiando a causa", disse José Pouler, membro da assembléia, frente a versões que aludiam à iminência de uma resolução judicial que ordene a liberação da ponte.

Na quinta-feira passada, o governo argentino reiterou que não irá reprimir os vizinhos que desde o final de 2006 bloqueiam a passagem fronteiriça.

O ministro do Interior, Florencio Randazzo, ressaltou que o uso da Polícia "não é o caminho" para acabar com o conflito, que atrapalhou as relações bilaterais entre os países nos últimos anos.

Disse, além disso, que a Argentina porá "um enorme compromisso" para controlar "conjuntamente" com as autoridades uruguaias "que não haja contaminação" no rio Uruguai pelas atividades da fábrica de celulose que a finlandesa UPM comprou em outubro de 2009 da também finlandesa Botnia.

Randazzo destacou que é preciso uma ordem judicial para que as forças de segurança desalojem os membros da Assembleia Ambiental de Gualeguaychú que mantêm a passagem com Fray Bentos bloqueada.

Mesmos termos com que se expressou a presidente Cristina em entrevista coletiva realizada com seu colega uruguaio, José Mujica, depois da reunião que os dois mantiveram na quarta-feira no Uruguai.

A instalação da fábrica motivou o pior conflito bilateral em décadas, dirimido pela Corte Internacional de Haia, que no dia 20 de abril emitiu uma decisão na qual considerou que Montevidéu violou o estatuto do rio Uruguai, mas destacou que a fábrica pode seguir operando porque não há provas de que contamine o meio ambiente.

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