Bagdá, 29 abr (EFE).- O ex-vice-primeiro-ministro iraquiano Tareq Aziz, que comparece hoje pela primeira vez à Justiça por causa de acusações relacionadas a seu papel durante o regime de Saddam Hussein, foi o arquiteto da política externa do mesmo e um de seus rostos mais conhecidos.

Preso em Bagdá desde sua rendição às tropas dos EUA em 2003, dias depois da queda de Saddam, o ex-membro do Conselho do Comando da Revolução (RCC, em inglês) foi uma das peças-chave do regime, cuja imagem representou durante mais de 20 anos.

Aziz nasceu há 72 anos em uma modesta família cristã de rito caldeu de um povoado próximo a Mossul (norte), recebeu o nome de Mikhail Johanna e era o único membro cristão do Governo de Saddam e um de seus colaboradores mais próximos.

Diplomado em Inglês pela Universidade de Bagdá, se interessou pela política desde a juventude, quando se filiou ao partido Baath (de ideologia socialista-nacionalista pan-árabe), no qual aliou a formação doutrinal ao treinamento militar.

Foi neste partido em que, no final dos anos 50, conheceu aquele que viria a ser o presidente iraquiano, Saddam Hussein, a quem permaneceria ligado pelo resto da vida.

Após trabalhar como jornalista nos órgãos oficiais do Baath e chegar a editor de seu principal órgão de imprensa, o "Al Thawra" (A Revolução), Aziz foi nomeado ministro da Informação em 1974.

Cinco anos depois e assim que Saddam concentrou todo o poder nas próprias mãos, desempenhou o cargo de vice-primeiro-ministro até 1991, quando foi designado ministro de Assuntos Exteriores e, como tal, se encarregou de negociar o cessar-fogo na guerra contra o Irã, sob o apoio da ONU.

A popularidade internacional veio quando, por ocasião da invasão iraquiana do Kuwait, em 2 de agosto de 1990, conduziu as negociações que acabaram não evitando a Guerra do Golfo (1991), na qual foi envolvida a comunidade internacional.

Após a libertação do Kuwait, Tareq Aziz retomou ao cargo de vice-primeiro-ministro do regime, ao qual unia o de secretário político do Baath e o de membro do Conselho do Comando da Revolução, integrado por dez pessoas da máxima confiança de Saddam Hussein.

Brilhante orador, voltou a se transformar no "rosto amável" do regime em 2003, durante a crise que antecedeu a invasão do Iraque pelo suposto descumprimento das resoluções da ONU impostas após a Guerra do Golfo, que exigiam o fim das armas de destruição em massa.

Após a rendição às tropas americanas, Aziz permanece desde então detido em um presídio de segurança máxima em Bagdá.

Em janeiro de 2006, seu advogado denunciou que Aziz "morria em sua cela", de onde só saiu em maio de 2006 para defender Saddam Hussein e seus ex-assessores, julgados e enforcados por causa da execução de dezenas de xiitas em 1983.

Os advogados do ex-dirigente pediram asilo e tratamento médico a vários países para Aziz, julgado a partir de hoje pela execução de 40 comerciantes iraquianos em 1992, que foram acusados de terem combinado um aumento conjunto de preços aproveitando o bloqueio econômico imposto ao país após a Guerra do Golfo.

Casado e pai de três filhos, Aziz escapou da morte em primeiro de abril de 1980, quando ficou levemente ferido em um atentado cometido por um cidadão iraniano, que lançou uma granada contra a comitiva presidencial durante um ato oficial na Universidade de Bagdá, matando várias pessoas. EFE bfg/ev/fal

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