Extremistas islâmicos detidos planejavam ataques na França

Supostos chefes do grupo islamita Forsane Alizza não tinham relações com assassino confesso Mohamed Merah

iG São Paulo |

Os supostos chefes do grupo islamita Forsane Alizza detidos na sexta-feira e apresentados nesta terça-feira diante de um juiz para serem indiciados por terrorismo, estavam armados, recebiam treinamentos e tinham alvos definidos para atacar na França.

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AP
Imagem de TV mostra suspeito de terrorismo detido por forces especiais francesas em Nantes (30/3)
Ao menos 13 dos 19 detidos na semana passada em diferentes pontos do país como membros do grupo vinculado à Al-Qaeda, devem ser acusados formalmente e eventualmente presos a pedido da Procuradoria diante das suspeitas "da iminência de cometer atentados".

O procurador-chefe de Paris, François Molins, explicou que diversas provas permitiram confirmar que eles previam "cometer ações violentas em território francês", assim como conhecerem alguns de seus alvos, como o sequestro de um magistrado em Lyon e de responsáveis religiosos.

Molins especificou que o projeto de sequestro estava na fase "intelectual" no caso do juiz Albert Lévy, que é judeu, embora não se sabe se estava prestes a acontecer por isso ou por suas funções como magistrado, na qual ele foi encarregado da instrução de um deles.

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O sequestro do juiz Lévy - que depois dessa descoberta passou a contar com escolta policial - havia sido tratado em reunião em Lyon no mês de setembro.

O procurador de Paris justificou a ação da semana passada contra os integrantes da organização salafista, sob investigação da Justiça desde outubro.

Armas

Os detidos tinham em seu poder dez armas (incluindo três Kalashnikov). Além disso, as investigações apontaram que eles consultavam sites que ensinam como fabricar explosivos. Em um site próprio, eles reivindicavam "a criação de um califado" na França para aplicar a sharia (a lei islâmica), usando como justificativa a jihad (guerra santa) para se preparar para "uma guerra civil".

A vigilância física e telefônica dos principais dirigentes, em particular Mohammed Achamlane, chamado por todos de "o emir", mostrou que contavam com uma rede de responsáveis em diferentes cidades da França, como Paris, Lyon, Nantes, Marselha e Nice.

Eles se reuniam semanalmente, organizavam treinamentos físicos em parques e florestas de Paris e nos arredores, assim como sessões de doutrinamento.

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Em comunicado sem data, exigiam "pacto de não agressão à comunidade muçulmana", o que de acordo com Forsane Alizza devia se traduzir no fim da participação das tropas francesas em operações em países de maioria islâmica. Em caso de não cumprimento, o grupo passava a se considerar "em guerra" com a França.

Molins contou que, com "o cruzamento de certos elementos" coletados que colocam em evidência os planos de Achamlane e seus seguidores, os magistrados instrutores "não quiseram assumir riscos" e optaram por ordenar as detenções já que havia "elementos suficientes" para acusá-los, embora nos interrogatórios todos tenham "minimizado seus papéis".

Eleição

Essa foi uma forma do procurador-chefe de suprimir as dúvidas que surgiram nos últimos dias sobre se a operação de sexta-feira teve intenções eleitoreiras por parte do governo do presidente, Nicolas Sarkozy, que concorre à reeleição em 22 de abril.

A campanha eleitoral passou a focar no tema da segurança e da luta antiterrorista a partir dos massacres de março em Toulouse e Montauban , reivindicadas pelo jovem fundamentalista Mohammed Merah . O franco-argelino de 23 anos foi morto por forças de segurança francesas no último dia 22, depois de um cerco de 32 horas contra seu apartamento, em Toulouse.

O representante do Ministério público precisou, no entanto, que o desmantelamento da Forsane Alizza "não tem qualquer relação com o caso Merah" e nunca houve contatos entre eles.

*Com EFE

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