Por Zeeshan Haider ISLAMABAD (Reuters) - Uma estação de televisão paquistanesa mostrou no sábado imagens que afirmou serem do suicida que era agente duplo e matou funcionários da CIA no Afeganistão. Ele aparece sentado ao lado do líder do Taliban paquistanês e, segundo a emissora, compartilhou segredos dos Estados Unidos e da Jordânia com militantes.

A televisão AAJ exibiu um vídeo que mostra o acusado, falando em inglês dificilmente audível e sentado ao lado do líder do Taliban paquistanês, Hakimullah Mehsud, que chefia uma crescente insurgência contra o governo pró-americano do Paquistão.

"A inteligência americana e jordaniana havia oferecido a ele milhões de dólares em troca de espionar os mujahideen (combatentes islâmicos). Mas ele rejeitou a riqueza e se juntou aos mujahideen", afirmou a emissora, referindo-se ao jordaniano Humam Khalil Abu-Mulal al-Balawi.

Segundo o canal, que identificou o homem pelo outro nome como é conhecido, Abu Dujana al-Khorasani, ele disse que "compartilhou todos os segredos da inteligência americana e jordaniana com seus companheiros".

Se o vídeo for autêntico, vai indicar falhas enormes do setor de inteligência dos EUA e da Jordânia, um dos mais importantes aliados norte-americanos no Oriente Médio. Não ficou claro quando ou onde o vídeo foi feito, mas a presença de Meshud é um indício de que foi realizado no Paquistão.

O governo do Paquistão vem argumentando há tempos que deveria ter como foco o combate ao Taliban local e não tem condições de abrir novas frentes contra facções afegãs do grupo, cujos membros cruzam a fronteira para atacar forças ocidentais no Afeganistão.

Mehsud perdeu todas as suas principais bases em seu bastião, o Waziristão do Sul, em uma ofensiva paquistanesa lançada em meados de outubro. Seu paradeiro é desconhecido, mas acredita-se que tenha deixado o Waziristão do Sul para abrigar-se com aliados, possivelmente no Waziristão do Norte.

O atacante suicida Balawi, um ex-médico, aparece no vídeo usando um chapéu tradicional paquistanês e afegão. Uma faixa preta atrás dele trás a inscrição: "Não há outro deus a não ser Deus. Maomé é o profeta de Deus".

O braço afegão da Al Qaeda havia assumido a responsabilidade pelo ataque suicida, o segundo mais mortífero na história da CIA, dizendo ser uma vingança pelas mortes de líderes militantes, incluindo o predecessor de Mehsud, Baitullah Mehsud, morto em um ataque aéreo por uma avião norte-americano não tripulado, em agosto, no Paquistão.

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