Segundo publicação que diz ter obtido íntegra de interrogatório, Breivik ficou desapontado por não ter derrubado prédio do governo

Foto de 2009 divulgada pela polícia norueguesa em outubro mostra Anders Behring Breivik
AP
Foto de 2009 divulgada pela polícia norueguesa em outubro mostra Anders Behring Breivik
O extremista Anders Behring Breivik , que se diz autor dos atentados de 22 de julho na Noruega que deixaram 77 mortos, tinha a intenção de matar três líderes do Partido Trabalhista, que, na sua opinião, eram traidores, informou um jornal local.

Citando interrogatórios da polícia que vazaram, o jornal VG disse que os alvos de Breivik eram o ex-primeiro-ministro Gro Harlem Bruntland, o chanceler Jonas Gahr Stoere e Eskil Pedersen, líder da juventude do partido.

Mas somente Pedersen estava presente quando o atirador foi ao acampamento da juventude do Partido Trabalhista na ilha de Utoya, após explodir um carro-bomba que deixou oito mortos em oslo. Pedersen sobreviveu ao ataque que matou 69, a maioria jovens, que estavam no evento partidário.

De acordo com o jornal, Breivik estava determinado e planejou os ataques minimamente, mas ficou ainda mais cruel em Utoya ao perceber que o prédio que atingiu em Oslo não tinha sido derrubado.

A publicação afirmou que o plano inicial do extremista era fazer um dos líderes do Partido Trabalhista de refém e, então, ler uma sentença de morte antes da execução dele, que seria realizada em Utoya. Ele tinha até preparado um discurso para isso, que, depois, reproduziu aos investigadores.

Jonas Gahr Stoere havia visitado Utoya um dia antes do massacre, enquanto Brundtland deixou a ilha horas antes da chegada de Breivik.

Executivos da VG se recusaram a dizer como a publicação obteve os detalhes do interrogatório. A polícia, no entanto, divulgou um comunicado dizendo ser uma pena que documentos importantes da investigação tenham vazado. De acordo com o comunicado, os documentos foram disponibilizados pela polícia, aos advogados de defesa e aos advogados que representam as famílias das vítimas.

A polícia afirmou que investigará o vazamento. Os porta-vozes de Gahr Stoere e Pedersen se recusaram a comentar a reportagem.

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Breivik, que se rendeu a uma equipe da SWAT em Utoya, confessou os ataques, mas não se considera culpado pelas acusações de terrorismo, dizendo que estava em condição de guerra. Em sua primeira aparição pública em uma audiência na segunda-feira, ele se disse um comandante militar de um movimento norueguês de resistência antes do juiz interrompê-lo.

Em um documento de 1,5 mil páginas divulgado na internet antes dos ataques , Breivik estabeleceu um plano para uma revolução que derrubaria governos nacionalistas que, segundo ele, teriam permitido a entrada de muçulmanos na Europa.

Investigadores acreditam que Breivik tenha planejado e executado os atentados sozinho e não encontraram nenhuma evidência de que ele faça parte de uma rede militante.

O jornal VG diz que Breivik enviou seu manifesto a 1.003 endereços de e-mail do apartamento de sua mãe antes de dirigir uma van com 950 kg de uma mistura de fertilizantes e combustíveis ao centro de Oslo.

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Ele estacionou a van do lado de fora do prédio do governo, acendeu o rastilho com um isqueiro, trancou o veículo e saiu do local a pé. "Eu estava muito nervoso no momento que eu acendi o isqueiro, e pensei que não tinha como voltar atrás e eu possivelmente morreria em 2 segundos", teria dito Breivik a polícia, segundo a publicação.

Ele, então, entrou em um carro que estava a poucos quarteirões de distância. Nele, carregava, pelo menos 500 cartuchos de munição, uma jaqueta à prova de balas, algemas de plástico e dois dispositivos para recarregar a arma com maior velocidade.

Breivik não ouviu a bomba explodir, mas soube da notícia depois, pelo rádio, segundo o relato da VG. Desapontado que o prédio não tinha sido derrubado, ele deu início à segunda parte do seu plano, dirigindo abaixo do limite da velocidade da estrada até Utoya, localizada a 40 km de Oslo.

Ao chegar lá, ele pediu aos guardas que preparassem a balsa, se passando por um policial. Centenas de pessoas, incluindo adolescentes, se reuniam na ilha para o retiro anual.

Assim que chegou, segundo o jornal, Breivik pensou brevemente em desistir do ataque. Logo em seguida, ele abriu fogo contra os guardas na costa, mas poupou a tripulação do barco por não saber se eles tinham conexões com o Partido Trabalhista.

Metodicamente, ele se moveu pela ilha, atraindo jovens para fora de seus esconderijos e, assim, matando-os. Breivik disse aos investigadores que esperava que a polícia chegasse 15 minutos depois de ele ter começado a atirar. Demorou pelo menos 80 minutos até a equipe da SwAT impedisse que Breivik continuasse o ataque.

O jornal VG disse que Breivik achou que seria covardia se matar e, então, se entregou . Se for considerado culpado pelo crime de terrorismo, Breivik pode enfrentar uma pena de 21 anos na prisão. Há a possibilidade de uma custódia alternativa - se ele ainda for considerado um perigo para a sociedade ele pode pegar prisão perpétua.

Com AP e BBC

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