Segundo policiais, Breivik se rendeu após ser rodeado por agentes de unidade especial na Ilha de Utoya

O autor confesso dos ataques na Noruega , Anders Behring Breivik , se entregou à polícia com as mãos ao alto e após ter largado suas armas.

A descrição foi feita por fontes policiais norueguesas nesta quarta-feira, cinco dias após o ataque a bomba em Oslo que deixou oito mortos e o massacre na Ilha de Utoya em que 68 morreram. (Saiba como o extremista executou os ataques na Noruega)

Breivik, quem os serviços secretos noruegueses (PST) chamaram de "lobo solitário", entregou-se após ser rodeado por agentes da unidade especial Delta na Ilha de Utoya.

Anders Behring Breivik é visto dentro de veículo ao deixar corte onde teve sua primeira audiência em Oslo (25/7)
Reuters
Anders Behring Breivik é visto dentro de veículo ao deixar corte onde teve sua primeira audiência em Oslo (25/7)
"Avisamos aos gritos que éramos policiais armados para chamar sua atenção. De repente ele estava na nossa frente, com os braços para cima e sobre a cabeça. Sua arma estava 15 metros atrás dele e o detivemos”, relatou Jacob Baertnes, membro do comando.

A fonte policial não deu mais detalhes sobre como a detenção ocorreu nem se pronunciou a respeito da resposta lenta das forças de segurança noruguesas à ação do extremista na ilha. A operação policial foi objeto de crescentes críticas, em meio ao vazamento de informações na imprensa que descrevem cortes de orçamento em equipamento militar e demora para atender ao chamado das vítimas.

Adolescentes

A maioria das vítimas do duplo atentado da Noruega identificadas oficialmente tinha entre 14 e 19 anos, segundo a lista com os primeiros 17 nomes divulgados pela polícia. Até agora, a vítima mais jovem é Sharidyn Svebakk-Bohn, 14 anos, que morreu no encontro anual da ala jovem do Partido Trabalhista norueguês na Ilha de Utoya.

A polícia começou a divulgar a lista com nomes das vítimas na terça-feira , quando forneceu identidade de quatro vítimas na ilha. Nesta quarta-feira foram divulgados os nomes de outras 13 vítimas fatais. Autoridades se propõem a divulgar nome, idade e local de residência de todas as vítimas, desde que suas famílias tenham sido previamente notificadas.

Os nomes divulgados pela polícia são: Sharidyn Svebakk-Bohn, 14 anos; Silje Merete Fjellbu, 17 anos; Hanne A. Balch Fjalestad, 43 anos; Bano Abobakar Rashid, 18 anos; Syvert Knudsen, 17 anos; Diderik Aamodt Olsen, 19 anos; Simon Sabo, 18 anos; Synne Royneland, 18 anos; Anne Lise Holter, 51 anos; Trond Berntsen, 51 anos; Birgitte Smetbak, 15 anos; Margrethe Boyum Kloven, 16 anos; Even Flugstad Malmedal, 18 anos; Gunnar Linak, 23 anos; Tove Ashill Knutsen, 56 anos; Hanna M. Orvik Endresen, 61 anos; Kai Hauge, 32 anos.

Tribunal

Em seu primeiro comparecimento na terça-feira diante de um juiz, Breivik confessou ser o autor do massacre embora dissesse não se reconhecer culpado. Ele também ressaltou a existência de mais células terroristas dentro da Noruega, o que está sendo investigado pela polícia. Breivik foi levado para uma prisão preventiva, onde ficará quatro semanas em regime de isolamento.

Nesta quarta-feira, o primeiro-ministro da Noruega, Jens Stoltenberg, anunciou a criação da "Comissão do 22 de Julho" para investigar o ataque duplo contra a sede do governo em Oslo e contra um acampamento juvenil na Ilha de Utoya, massacre que deixou ao menos 76 mortos no país.

Ele disse que a comissão, acordada por todos os partidos políticos, analisará tudo o que aconteceu no dia, incluindo a reação da polícia. A investigação foi anunciada em meio ao questionamento sobre a lentidão da polícia em responder ao ataque em Utoya, onde o fundamentalista cristão anti-islâmico pôde disparar por 90 minutos contra membros da ala juvenil do governista Partido Trabalhista. Breivik reivindicou a autoria dois dois atentados.

A chefe do serviço interno de inteligência da Noruega, Janne Kristiansen, disse à BBC que não há qualquer prova de que Breivik tenha ligações com extremistas de direita no país ou em qualquer outro lugar. "Não temos indicações de que ele tenha sido parte de um movimento mais amplo, ou que tenha agido em conexão com outras células, ou que haja outras células", disse Kristiansen.

Entretanto, ela disse que os serviços de inteligência noruegueses continuam investigando possíveis conexões de Breivik. "Não acho que haja limites para o mal na mente dessa pessoa. Não podemos correr nenhum risco."

Breivik, que assumiu a autoria dos ataques, contou ao seu advogado que integrava uma rede anti-islâmica que teria duas células na Noruega e várias no exterior. O atirador havia alegado até mesmo que tinha contatos no Reino Unido.

Mas Kristiansen lançou dúvidas sobre essas afirmações, assim como as afirmações do advogado de Breivik, Geir Lippestad , que disse acreditar que seu cliente seja "insano" .

*Com EFE

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