Extremista norueguês recebe cartas de amor na prisão

Anders Behring Breivik, que assumiu massacre na Noruega, também recebe cartas de ódio e de 'fãs' que querem libertá-lo

iG São Paulo |

AP
Foto de 2009 divulgada pela polícia norueguesa em outubro mostra Anders Behring Breivik
O extremista Anders Behring Breivik , que assumiu responsabilidade pelo massacre que deixou 77 mortos na Noruega, recebe cartas de amor na prisão, informou nesta quinta-feira a emissora local TV2.

Breivik também recebe cartas de pessoas que querem libertá-lo da prisão e várias manifestações de ódio pelo duplo ataque realizado em 22 de julho.

De acordo com a emissora, a polícia já entregou ao extremista entre 200 e 300 cartas enviadas por indivíduos na Noruega e de outros países desde quando ele foi preso, no dia do massacre.

A correspondência só foi entregue agora porque até três semanas atrás Breivik estava proibido de manter qualquer contato com o exterior. "Foi enviada uma grande quantidade de cartas, e elas serão entregues de forma progressiva", afirmou à emissora o procurador Christian Hatlo.

Embora Breivik tenha sido retirado do regime de isolamento há quase dois meses, ele continua sendo o único preso de segurança máxima na penitenciária de Ila, oeste de Oslo.

Leia também: Avaliação psiquiátrica afirma que extremista norueguês é insano

A decisão de permitir que ele receba cartas é um primeiro passo para Breivik, que a partir da próxima segunda-feira poderá pela primeira vez ler jornais, ver televisão e ouvir rádio.

Em última audiência, realizada em 14 de novembro, a Corte de Oslo prolongou a prisão preventiva de Breivik por 12 semanas, além de ter estendido por oito a proibição de receber visitas.

'Insano'

Na semana passada, um relatório psiquiátrico entregue ao tribunal de Oslo afirmou que Breivik é insano .

O documento, assinado por dois especialistas, diz que Breivik sofre de esquizofrenia paranoica e estava em um estado “psicótico” quando cometeu os ataques de 22 de julho.

Os psiquiatras fizeram 13 entrevistas com Breivik e concluíram, no relatório, que ele vivia “em seu próprio universo de desilusão e que seus atos e pensamentos eram guiados por estas desilusões”.

Se o tribunal concordar com a conclusão do relatório, Breivik não poderá ser condenado à prisão, mas, sim, levado a uma instituição psiquiátrica.

Na Noruega, para que a defesa alegue insanidade o réu precisa ter cometido o crime em estado psicótico. Isso significa que o réu perdeu contato com a realidade ao ponto de já não conseguir controlar suas ações.

O relatório de 243 páginas vai ser revisado por uma comissão do Conselho Norueguês de Medicina Forense, que pode pedir mais informações e acrescentar suas próprias opiniões.

Em julho, o chefe dessa comissão afirmou à agência Associated Press considerar improvável que Breivik fosse considerado legalmente insano. Isso porque os ataques foram cuidadosamente planejados e executados.

Apesar de ter reivindicado a autoria do crime, Breivik rejeita a responsabilidade penal pelo massacre, afirmando que ele era "necessário" para salvar a Noruega e a Europa dos muçulmanos e do multiculturalismo.

Com EFE, AP e BBC

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