Extremista norueguês faz primeira aparição pública em tribunal

Anders Behring Breivik, autor confesso do atentado que deixaram 77 mortos, foi interrompido pelo juiz ao tentar ler comunicado

iG São Paulo |

AP
Foto de 2009 divulgada pela polícia norueguesa em outubro mostra Anders Behring Breivik
Anders Behring Breivik , que se diz autor dos atentados que deixaram 77 mortos na Noruega em 22 de julho, faz sua primeira aparição pública em tribunal nesta segunda-feira. O ultradireitista, vestido em terno escuro, chegou à corte de Oslo antes dos repórteres e da população.

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O extremista de 32 anos está sob custódia desde julho, quando ocorreu a explosão de um carro-bomba no centro de Oslo e o ataque indiscriminado contra um acampamento da juventude do partido trabalhista na ilha de Utoya .

Breivik foi escoltado por guardas ao entrar no tribunal. De acordo com uma jornalista da BBC que esteve dentro da corte, a atmosfera no local é estranha e tensa. Cerca de 30 sobreviventes e parentes de vítimas participaram da audiência, e o réu olhou-os diretamente nos olhos ao caminhar pela sala.

Breivik aparentava calma, mas foi interrompido pelo juiz quando tentou ler um comunicado previamente preparado, no qual se dizia um líder da resistência. "Eu sou um comandante militar do movimento da resistência norueguesa", disse Breivik antes de o juiz ordenar que ele parasse.

Promotores pediram nesta segunda-feira que Breivik continuasse sob custódia por mais 12 semanas, com restrições de visitas, o que foi acatado pelo juiz . Ele também descartou a insanidade de Breivik.

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Dias depois do massacre, ele afirmou que esperava explicar sua ações. Apesar de no início ter sido ordenada que a audiência fosse pública, a decisão foi posteriormente revogada por um tribunal superior, após a polícia ter recorrido.

A Suprema Corte Norueguesa ordenou na sexta que as audiências poderiam ser públicas - movimento bem vindo pelo advogado de defesa Geir Lippestad, que teria dito que era isso que seu cliente queria.

Ao final da audiência desta segunda, Breivik pediu ao juiz Torkjel Nesheim se podia falar com os sobreviventes e parentes das vítimas, mas a requisição foi imediatamente recusada.

Tim Viskjer, sobrevivente do massacre em Utoya, assistiu à audiência de Breivik por uma transmissão de vídeo ao vivo em outra sala do tribunal. "Eu pensei que ele parecia frio e desumano", disse Viskjer a uma emissora norueguesa. "Foi desconfortável, mas para eu mudei um pouco depois de ver e ouvir o suspeito."

Assim como fez nas audiências anteriores, o extremista confessou os ataques mas recuou-se a se declarar culpado. Ele nega ter cometido um crime, pois alega que estava em uma cruzada para proteger a Europa de ser tomada por imigrantes muçulmanos.

Ele descreveu sua detenção na prisão Ila em Oslo como uma "tortura irracional". Seu advogado de defesa afirmou aos repórteres presentes que Breivik não reconhece a autoridade da corte e reivindica que seja libertado da prisão.

O promotor Paal Hjort Kraby disse que é mais provável que Breivik tenha planejado e executado os ataques sozinho, mas não descarta a existência de cúmplices.



Com BBC e AP

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