Extração de madeira ameaça tribos da Amazônia peruana

Por Carlos Tabja PUCALLPA, Peru (Reuters) - Delia Pacaya cresceu na Amazônia peruana como parte de uma tribo nômade avessa a qualquer tipo de contato com forasteiros, mas quando as madeireiras invadiram sua terra, ela fugiu da mata virgem e passou a morar em um pequeno vilarejo.

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Como muitos outros nascidos na floresta, Pacaya diz sentir-se ameaçada pelos madeireiros, que costumam derrubar mais árvores do que o permitido. O resultado, segundo grupos ambientalistas e de defesa dos direitos humanos, é a destruição da Amazônia e de antigas sociedades tribais.

'Havia muitos madeireiros e nós ficamos com medo', afirmou Pacaya, hoje com 20 e poucos anos, falando em chitonawa e sentada dentro de uma cabana feitas de folhas de palmeira, onde seu filho pequeno brincava e galinhas ciscavam o chão de terra.

Pacaya deixou sua tribo uma década atrás e agora cultiva um pequeno pedaço de terra na reserva natural Marunahua, na região de Ucayli (nordeste do Peru). A maior parte das armadilhas da vida moderna não conseguiu enredá-la. Mas Pacaya deixou-se seduzir por algumas -- a índia usa, por exemplo, esmalte de unha e camisetas.

Apesar de não saberem com certeza quantos índios trocaram as matas pela cidade nos últimos anos, especialistas afirmam que ex-integrantes de tribos encontram dificuldades para adaptar-se e costumam ser atingidos por doenças às quais sua gente nunca havia sido exposta.

'Um número incontável de comunidades enfrenta uma situação difícil. A maior parte delas está pressionada pelos madeireiros, entre outros, e suas vidas correm perigo', afirmou Beatriz Huertas, uma antropóloga que costuma trabalhar com a Aidesep, um grupo de defesa dos direitos humanos.

Das mais de cem tribos do mundo ainda isoladas, mais da metade viveriam na fronteira do Peru com o Brasil.

Em maio, fotografias tiradas nessa região mostraram dois índios pintados de vermelho e apontando flechas para o avião de onde as imagens foram feitas. Aparentemente, os dois sentiam-se ameaçados.

As fotos serviram para que fosse retomado o debate travado entre organizações protecionistas e governos no momento em que o Peru encoraja empresas a explorarem petróleo e gás natural em suas áreas de mata.

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