Ex-soldados rebeldes encerram ocupação de prédios no Haiti

Por Joseph Guyler Delva PORTO PRÍNCIPE, Haiti (Reuters) - Dezenas de ex-soldados abandonaram pacificamente, na quarta-feira, um antigo quartel do Exército do Haiti, colocando fim a um enfrentamento de 24 horas com a polícia e as forças de paz da Organização das Nações Unidas (ONU), afirmaram membros do governo.

Reuters |

Um dia antes, os ex-militares ocuparam antigas construções usadas pelo Exército em Cap-Haitien (norte), a segunda maior cidade do Haiti, e no povoado de Ouanaminthe, perto da fronteira com a República Dominicana.

Os manifestantes exigiam a reinstalação do Exército, hoje desmantelado, e o pagamento de 14 anos de soldo.

A polícia disse que os homens encerraram a ocupação dos edifícios de Cap-Haitien 24 horas depois de haverem ingressado neles e que embarcaram em ônibus a bordo dos quais foram levados para quartéis da polícia.

'Estávamos prontos para tirá-los dali à força, mas eles finalmente entenderam que falávamos sério e decidiram sair', disse um membro da polícia de Cap-Haitien a uma rádio haitiana.

Não ficou claro ainda se os que invadiram o edifício de Ouanaminthe tinham também se entregado.

Na tarde de terça-feira, dezenas de integrantes da força de paz da ONU e da polícia haitiana foram estacionados ao redor dos locais invadidos. A tensão aumentou poucas horas mais tarde, quando civis favoráveis aos ex-militares atiraram pedras contra os soldados estrangeiros.

A ocupação lembrou os atos de desobediência civil que, em outras oportunidades, disseminaram-se como fogo em palha nesse empobrecido país de 9 milhões de habitantes, provocando a deposição de governos.

Desde o fim da ditadura da família Duvalier, em 1980, o Haiti, o país mais pobre das Américas, luta para criar um regime democrático.

Após um levante de escravos ter assegurado a independência do Haiti, antes colônia da França, a maior parte dos anos de liberdade do país testemunhou distúrbios e matanças.

Uma sangrenta rebelião de ex-soldados e gangues de rua terminou em 2004 com a deposição do então presidente Jean-Bertrand Aristide, que deixou o território haitiano para exilar-se na África.

As forças da ONU conseguiram impor a paz no Haiti depois da saída de Aristide.

O líder dos ex-soldados que invadiram os antigos prédios militares, Milot Laguerre, disse que o grupo estava se rendendo voluntariamente devido à presença de civis.

'Nós, os militares, estávamos prontos para morrer em lugar de nos render, porque se trata de nossos direitos. Mas não queremos colocar em perigo a vida dos civis que nos acompanhavam', afirmou a uma rádio.

Aristide desmobilizou o Exército em 1995, mas os ex-soldados afirmam que essa medida foi ilegal e já exigiram por diversas vezes a reinstalação dele.

'O Exército existe na atual Constituição, mas as autoridades negam-se a respeitá-la,' afirmou Laguerre.

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