Ex-soldados encerram protesto e se rendem no Haiti

Por Joseph Guyler Delva PORTO PRÍNCIPE (Reuters) - Dezenas de ex-soldados deixaram na quarta-feira um antigo quartel no norte do Haiti onde passaram 24 horas entrincheirados para exigir a recriação do Exército e o pagamento de 14 anos de soldos atrasados.

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O incidente nas instalações militares desativadas de Cap-Haitien, segunda maior cidade do país, terminou pacificamente. Não está claro se um outro protesto semelhante, na cidade de Ouanaminthe, na fronteira com a República Dominicana, continua.

A polícia dizia estar pronta para invadir o quartel de Cap-Haitien, mas os manifestantes afinal se entregaram e foram levados de ônibus para uma delegacia.

Na noite de terça-feira, simpatizantes civis dos ex-soldados apedrejaram tropas da ONU e policiais haitianos que haviam ocupado posições em torno dos prédios ocupados.

Atos de desobediência civil desse tipo costumavam ser habituais neste miserável país, levando inclusive à queda de governos -- como em 2004, quando ex-soldados e bandidos comuns promoveram uma rebelião que levou à fuga do presidente Jean-Bertrand Aristide.

Desde aquela época, tropas internacionais sob o comando do Brasil tentam impor a ordem.

O líder dos ex-soldados em Cap-Haitien, Milot Laguerre, disse que o grupo decidiu se render voluntariamente por causa dos seus seguidores civis.

'Nós, militares, estamos prontos para morrer em vez de nos render, porque estamos no nosso direito, mas não queremos colocar em perigo a vida dos civis que nos acompanham', disse ele a uma rádio.

Aristide dissolveu o temido Exército haitiano em 1995, durante seu primeiro mandato. Ex-soldados consideram que a medida foi ilegal, e periodicamente reivindicam o pagamento dos soldos atrasados.

'O Exército existe na atual Constituição, mas as autoridades se recusam a respeitá-la', disse Laguerre.

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