Ex-senador John Edwards admite relação adúltera

John Edwards, ex-candidato à vice-presidência dos Estados Unidos e ex-postulante à indicação democrata à eleição presidencial de 2008, admitiu nesta sexta-feira ter mantido uma relação extraconjugal.

AFP |

O ex-senador da Carolina do Norte de 54 anos reconheceu em declarações à rede ABC News ter mantido um caso com Rielle Hunter, uma cineasta de 42 anos.

No entanto, Edwards negou ser o pai do bebê que Hunter deu à luz em fevereiro.

Admitindo não ter feito teste de paternidade, o ex-senador explicou que não pode ser o pai da criança já que terminou com Hunter muito antes do nascimento do bebê.

Segundo amigos de Hunter, Edwards teria conhecido a cineasta em um bar de Nova York, em 2006.

O episódio pode acabar com a carreira do ex-senador, que já não tem mais qualquer chance de ser o companheiro de chapa do candidato democrata à presidência Barack Obama, como o foi com John Kerry em 2004.

Edwards lançou-se à corrida à indicação democrata para a Casa Branca em 2008 antes de se retirar, no fim de janeiro.

O ex-senador da Carolina do Norte é casado com Elizabeth Edwards, uma mulher extremamente popular por sua luta contra uma forma incurável de câncer. O casal tem três filhos.

O senador pela Carolina do Norte é filho de um modesto operário têxtil, cursou advocacia, enriqueceu e entrou para a política há apenas seis anos.

Sua campanha havia sido lançada num dos bairros de Nova Orleans mais devastados pelo furacão Katrina no verão de 2005 para retomar seu tema preferido: a urgência de reduzir o fosso entre "as duas Américas", a dos abastados e a dos necessitados.

Rosto redondo e uma postura impecável, o senador Edwards começou a se dedicar à política recentemente, em 1998. No entanto, é capaz de fazer discursos de meia hora sem ler ou hesitar, falando com um forte sotaque sulista, com o que consegue fazer esquecer sua pouca experiência política.

Aos 11 anos, o jovem Edwards já proclamava que queria ser advogado para "proteger os inocentes de uma justiça cega".

Mestre da arte da retórica, conseguiu convencer um júri a ordenar o pagamento de uma indenização de 25 milhões de dólares a uma menina de nove anos, gravemente ferida em uma piscina mal construída.

Desde que foi eleito para o Senado, seu talento foi rapidamente aproveitado pelos democratas para combater a campanha para destituir o presidente Bill Clinton, orquestrada pelos republicanos, a quem deu muito trabalho.

Edwards não poupava palavras para reprovar Bush e censura abertamente a sensível questão da guerra contra o terrorismo e a invasão ao Iraque.

"Somos testemunhas de uma política que fracassou. Por que a Casa Branca não muda de orientação?", questionava.

Seu discurso sobre "as duas Américas" foi o leitmotiv de sua frustrada campanha nas primárias e apresentava o panorama de um país dividido em termos de prosperidade econômica e raça, assim como respeito ao acesso à saúde e à educação.

"Construiremos um Estados Unidos onde não haja crianças que vão dormir com fome, onde não haja crianças sem teto e onde nunca mais vai haver um americano que trabalhe o dia todo e viva na pobreza".

Até mesmo seus críticos, que reprovavam seu "discurso simplista", reconheciam a força e a eloqüência com que os pronuncia e admitem que a resposta do público é entusiasta.

Por trás de um sorriso juvenil se esconde, segundo seus assessores, um homem profundamente ferido pela morte, em 1996, de Wade, um de seus quatro filhos, em um acidente de trânsito. Um drama que levou o advogado a se lançar à política e ambicionar a Casa Branca mesmo antes de ser eleito para o Senado.

    Leia tudo sobre: eua

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG