Lisboa, 22 jul (EFE).- O primeiro responsável pela investigação do desaparecimento de Madeleine McCann, Gonçalo Amaral, e o ex-diretor da Polícia Judiciária (PJ) Alípio Ribeiro consideram precipitado que a Procuradoria tenha fechado o caso.

Em declarações publicadas nesta terça-feira no "Diário de Notícias", Amaral se diz convencido de que "Madeleine nunca foi raptada e morreu naquele apartamento, naquela noite (3 de maio de 2007)".

O antigo coordenador da investigação afirmou que as Polícias britânica e portuguesa concordam que a morte de Madeleine aconteceu no apartamento turístico onde os McCann passavam férias na região portuguesa de Praia da Luz.

O inspetor da PJ, que na próxima quinta-feira publica um livro no qual revelará detalhes desconhecidos da investigação, destacou que a decisão da Procuradoria não é "nenhuma declaração de inocência" dos pais.

Amaral, que sempre se mostrou convencido da culpabilidade dos pais da criança e que foi afastado do caso por afirmar publicamente que a Polícia britânica foi influenciada por eles, lembra que o caso pode ser aberto novamente a qualquer momento.

Na opinião dele, nos relatos dos McCann sobre o acontecido havia "algumas incoerências" e parecia que o casal estava "inventando uma história".

Já o ex-diretor da PJ diz em artigo publicado no "Diário Econômico" que o caso Madeleine "não devia ser fechado tão rapidamente".

"Talvez tivesse sido mais razoável ter determinado o fim do estatuto de suspeitos (dos McCann e do cidadão britânico Robert Murat) e, em outro contexto do processo, continuar a investigação", disse Ribeiro.

O ex-responsável pela PJ, que em fevereiro passado admitiu publicamente que possivelmente tenha havido precipitação ao declarar os pais suspeitos, assinala no artigo que um "fechamento precipitado pode prejudicar, talvez definitivamente, um esclarecimento posterior" do caso.

Lembrou que freqüentemente este tipo de caso é resolvido muitos anos depois, por isso uma investigação sobre o desaparecimento de uma criança "não pode ser fechada por falta de provas após tão pouco tempo". EFE abm/pq/mh

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