Ex-repórter de tabloide é encontrado morto no Reino Unido

Sean Hoare, que foi o primeiro a alegar que ex-assessor de primeiro-ministro sabia de grampos, não era tratado como suspeito

iG São Paulo |

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Foto de arquivo mostra ex-repórter do News of the World, Sean Hoare, que foi encontrado morto no Reino Unido
Sean Hoare, o ex-repórter de showbiz do tabloide News of the World que foi o primeiro jornalista a alegar que Andy Coulson estava ciente da realização de escutas ilegais por sua equipe, foi encontrado morto, informou nesta segunda-feira o The Guardian.

Com 43 anos, Coulson era editor do News of the World entre 2003 e 2007, quando as escutas ilegais foram realizadas, e atuou como porta-voz do primeiro-ministro britânico, David Cameron, até janeiro deste ano. Em 8 de julho, ele foi detido sob suspeita de corrupção e, depois de prestar um depoimento de nove horas, foi solto após o pagamento de fiança .

Hoare, que trabalhou no Sun e no News of the World com Coulson antes de ser demitido por problemas com bebidas e com drogas, teria sido encontrado morto em sua casa em Watford, no norte de Londres.

A polícia de Hertfordshire não confirmou sua identidade, mas o órgão disse em uma declação: "Às 10h40 (6h40 em Brasília) desta segunda-feira (18 de julho), a polícia foi chamada a Langley Road, Watford, pela preocupação com o bem-estar de um homem que vive em um endereço nessa rua. Depois que a polícia e a ambulância chegaram à propriedade, o corpo do homem foi encontrado", informa o Guardian. "A morte vem sendo tratada como inexplicável, mas não é suspeita. Continuam as investigações policiais sobre o incidente", acrescentou o diário britânico.

De acordo com a publicação, Hoare primeiramente fez suas alegações para as investigações do New York Times sobre as escutas ilegais do tabloide britânico, cuja última edição circulou em 10 de julho . Ele disse ao jornal americano que Coulson não apenas sabia dos grampos, como ativamente encorajou sua equipe a interceptar as ligações telefônicas de celebridades para obter material exclusivo.

Posteriormente à BBC, ele disse que seu então editor, Coulson, pediu-lhe pessoalmente para interceptar ligações. Segundo ele, as declarações de Coulson de que desconhecia a prática de seus repórteres era "simplesmente uma mentira".

Em setembro, ele foi entrevistado pela polícia em relação às denúncias, mas negou-se a fazer quaisquer comentários. Na semana passada, ele voltou à mídia após dizer ao New York Times que repórteres tinham acesso à tecnologia policial para localizar as pessoas usando seus sinais de celular em troca de pagamento aos policiais.

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Coulson, ex-porta-voz do premiê David Cameron, deixa delegacia em Londres. Ele foi interrogado por 9 horas por envolvimento no escândalo de grampos de tabloide (08/07)
Segundo ele, os jornalistas eram capazes de usar uma técnica chamada de "pinging", que media a distância entre os aparelhos de celular e os números do telefone para apontar sua localização.

Pressão sobre a polícia

A morte de Hoare ocorre em meio ao aprofundamento da crise do escândalo de escutas na força policial de Londres, com as rápidas renúncias de duas autoridades e denúncias de possível investigação ilegal, suborno e conspiração. No domingo, o comissário-chefe da Polícia Metropolitana de Londres (Scotland Yard), Paul Stephenson , renunciou pelo caso dos grampos. Sua renúncia foi seguida nesta segunda-feira pela do subcomissário-chefe John Yates .

Nesta quarta-feira, a ministra do Interior da Grã-Bretanha, Theresa May, anunciou um inquérito para investigar as acusações de corrupção policial que surgiram com o escândalo. Theresa disse ao Parlamento britânico que pedirá aos inspetores que analisem principalmente a relação entre policiais e jornalistas.

Sentindo a pressão por seus próprios vínculos estreitos com o império de mídia de Rupert Murdoch, dono do tabloide News of the Wolrd, o premiê britânico encurtou uma viagem na África e pediu uma sessão de emergência do Parlamento para a quarta-feira para que possa abordar o escândalo com os legisladores.

Na terça-feira, os parlamentares questionarão Murdoch, seu filho James e Rebekah Brooks , a ex-chefe-executiva da divisão britânica da News Corporation do magnata australiano, sobre o escândalo. Rebekah, que renunciou ao cargo de editora-executiva da News International na sexta-feira, foi detida e libertada sob fiança no domingo após prestar depoimento por mais de 12 horas sobre o caso.

O News of the World teria interceptado ilegalmente milhares de telefones celulares em busca de notícias exclusivas. Investigações indicam que até 4 mil pessoas podem ter sido grampeadas pelo tabloide, entre políticos, membros da realeza , esportistas, celebridades e familiares de militares mortos na guerra do Afeganistão. Entre as possíveis vítimas das escutas telefônicas também está um dos primos do brasileiro Jean Charles de Menezes , morto por engano pela polícia britânica em julho de 2005.

*Com AP e BBC

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