Ex-repórter acusa direção de jornal britânico de encobrir grampos

Em carta de 2007, jornalista do News of The World preso por escutas afirmou que agiu com consentimento de seus superiores

iG São Paulo |

AFP
Clive Goodman trabalhou como setorista da Família Real britânica no jornal News of the World (foto de arquivo)
Uma carta escrita por um ex-repórter do extinto tabloide britânico News of the World acusa a direção do jornal de saber e apoiar o uso de escutas ilegais para obter informações confidenciais. O documento, escrito por Clive Goodman em 2007, foi divulgado nesta terça-feira pelo Parlamento britânico.

Goodman, ex-editor de assuntos relacionados à Família Real britânica, foi condenado à prisão em 2007 por conta das escutas ilegais do tabloide.

A News International, braço britânico da News Corporation de Rupert Murdoch, que era dona do tabloide, afirmou várias vezes que Goodman era o único jornalista envolvido no caso.

Mas na carta endereçada ao diretor de Recursos Humanos da News International, Daniel Clocke, o ex-repórter do News of the World afirma que os grampos eram “amplamente discutidos” em reuniões editoriais e que não poderia ser demitido porque atuava com o consentimento de seus superiores.

“A decisão é perversa porque as ações que levaram a essa ação criminal foram feitas com conhecimento e apoio total (da direção). E é inconsistente porque outros membros da equipe estavam fazendo o mesmo”, escreveu.

O ex-repórter diz também que a prática só deixou de ser discutida explicitamente a pedido do editor do News of the World, que na época era Andy Coulson .

Coulson editou o tabloide entre 2003 e 2007 e renunciou ao comando da publicação em 2007, após a condenação de Goodman. Depois, assumiu o cargo de porta-voz do primeiro-ministro britânico, David Cameron, ao qual renunciou em janeiro por causa das novas denúncias contra o jornal.

James Murdoch

Também nesta terça-feira, parlamentares britânicos disseram que o filho de Rupert Murdoch, James , poderá ser convocado para prestar novos esclarecimentos.

No mês passado, dois ex-executivos da News International, disseram que estava incorreto o depoimento dado por James à comissão parlamentar que investiga o escândalo.

Colin Myler, ex-editor do tabloide, e Tom Crone, ex-gerente legal do jornal - disseram ter informado James - que é presidente das operações da News Corp. na Europa e na Ásia - de um importante email que constava em um processo aberto por Gordon Taylor, o chefe do sindicato dos jogadores profissionais de futebol.

A caixa de mensagens de voz de Taylor foi interceptada pelo News of the World e a companhia alcançou um acordo sobre a ação judicial em 2008. James disse à comissão não estar ciente da mensagem de email, que contradizia uma declaração da News International na época de que o problema das escutas ilegais se limitava a um repórter - Clive Goodman.

De acordo com a BBC, a comissão deve pedir que Myler e Crone apresentem novas provas. “Quando tivemos todas as informações e respostas para nossas perguntas, é provável que seja necessário falar com James Murdoch outra vez”, disse um parlamentar.

Com AP e BBC

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