sob ameaça - Mundo - iG" /

Ex-reféns pedem que rádio não passe entrevista dada sob ameaça

Bogotá, 4 fev (EFE).- Os três policiais e o soldado libertados no domingo pelas Farc pediram à Rádio França Internacional (RFI) que não transmite a entrevista que seu correspondente na Colômbia fez com eles quando ainda estavam sequestrados e sob ameaça de morte.

EFE |

Os ex-reféns enviaram uma carta ao presidente da RFI, Antoine Schwarz, e outra à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) com este pedido.

"(As entrevistas) foram produto da ameaça de morte e de continuarem em cativeiro, fato claramente conhecido e aproveitado" pelo correspondente na Colômbia da RFI, Hollman Morris, disseram em suas mensagens publicadas hoje pela imprensa colombiana.

Este jornalista se viu envolvido em uma polêmica por estar presente no domingo passado durante a entrega por parte das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) destes quatro sequestrados a uma missão humanitária em um local não revelado das selvas do sul da Colômbia.

"Momentos antes que nos foi devolvida a liberdade após passar vários anos sequestrados pelo grupo 'narcoterrorista' das Farc, fomos obrigados por nossos sequestradores a darmos uma entrevista a um repórter da RFI manifestando estritamente o que os guerrilheiros queriam que lhe disséssemos", assinala uma das cartas.

Em outra das cartas, os policiais Walter José Lozano Guarnizo, Juan Fernando Galícia Uribe, Alexis Torres Zapata e o militar William Giovanni Domínguez Castro pediram à CIDH proteção aos seus direitos "à integridade pessoal e à honra e dignidade humana, consagrados na Convenção Americana de Direitos Humanos", citando Morris.

O presidente colombiano, Álvaro Uribe, referiu-se a Morris em entrevista coletiva, após visitar, ontem à noite, em Villavicencio (a 120 quilômetros de Bogotá), o ex-governador Alan Jara, libertado pelas Farc após sete anos e meio de sequestro.

Segundo Uribe, Morris usou sua condição de jornalista "para ser permissivo cúmplice do terrorismo" e "descumpriu seus deveres como pessoa protegida pela CIDH".

"O Governo da Colômbia lhe deu toda a proteção, e ele descumpriu os deveres. Nós estamos obrigados pela CIDH a proteger ao jornalista Morris, como protegemos a tantos colombianos", acrescentou.

Ontem, Morris disse à Agência Efe que, na segunda-feira, fora retido por sete horas pelo Exército e pela Polícia da Colômbia, que, segundo ele, tentaram confiscar o material gravado no local onde foram libertados, no domingo, quatro dos cerca de 700 reféns que se estima que as Farc mantenham em cativeiro. EFE fer/jp

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG