O ex-refém das Farc Luis Eladio Perez, libertado pelo movimento guerrilheiro graças à mediação do presidente venezuelano Hugo Chávez, deixou nesta quarta-feira a Colômbia dizendo-se ameaçado de morte.

"Lamentavelmente temos que ir embora daqui, por motivos de segurança. Recebemos muitas ameaças nas últimas horas", declarou Perez à rádio colombiana Caracol no aeroporto Eldorado de Bogotá, pouco antes de viajar, com sua família, para um país que não revelou.

Libertado há quatro meses, o ex-senador, que chegou a dividir um cativeiro com a franco-colombiana, Ingrid Betancourt, culpou as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (farc) pelas ameaças. "Vou embora com muita tristeza, mas seguirei lutando pela Colômbia", afirmou.

Seqüestrado em 10 de junho de 2001, Luis Eladio Perez foi libertado em 27 de fevereiro passado junto com outros três ex-parlamentares colombianos.

O ex-senador denunciou as ameaças na segunda-feira, depois de prestar depoimento na justiça contra dois de seus ex-captores detidos durante a operação militar que permitiu, em 2 de julho, o resgate de Ingrid Betancourt, de três americanos e de outros 11 reféns.

Perez publicou recentemente um livro intitulado "Sete anos seqüestrado pelas Farc", em que relata as humilhações sofridas nas mãos dos rebeldes.

"As ameaças são decorrentes do meu depoimento contra esses dois personagens, mas também do meu relato das minhas condições de detenção na selva colombiana. Descrevi claramente o que vivi, para que o mundo saiba os horrores que as Farc nos fizeram passar", explicou Perez.

Durante parte do período que passou em cativeiro, o ex-senador se tornou o confidente de Ingrid Betancourt. Ambos tentaram fugir de seus captores, mas foram encontrados e punidos, tendo por exemplo que dormir acorrentados.

axm/yw

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