Ex-refém pede que Colômbia faça acordo com as Farc

O ex-deputado Sigifredo López, libertado nesta quinta-feira pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) depois de mais de seis anos de cativeiro, pediu ao presidente colombiano, Álvaro Uribe, que aceite negociar um acordo humanitário com a guerrilha e sugeriu que o governo brasileiro seja um dos facilitadores deste processo.

BBC Brasil |

"O que está em discussão é a responsabilidade política, jurídica e moral por nossa liberdade, dos que ficaram presos no meio de uma guerra.

É dever do Estado libertá-los", afirmou em entrevista coletiva em Cali, horas depois de ser resgatado pela missão humanitária

López propôs que a senadora de oposição Piedad Córdoba e o arcebispo Luis Augusto Castro sejam os mediadores de um diálogo entre governo e guerrilha para a libertação dos 22 oficiais que ainda estão em poder do grupo armado. Em troca, o governo libertaria guerrilheiros que estão presos.

López é recebido por seu filho em Cali, após libertação
Após libertação, López é recebido por seu filho em Cali

Em sua opinião, o Brasil deveria voltar a participar de missões humanitárias fornecendo apoio logístico junto com a Cruz Vermelha, assim como foi feito na operação de libertação de seis reféns que começou no último domingo.

"Intercâmbio humanitário já! Há seres humanos morrendo na selva, todos temos que pedir ao presidente Uribe para que faça (o acordo)", afirmou.

Na avaliação de López, sua libertação e a de outros cinco reféns nesta semana "não é um gesto humanitário" e sim "político" das Farc.

Ele, no entanto, avalia que as libertações unilaterais feitas pela guerrilha nesta semana são um passo "importante" para que outros reféns sejam liberados.

O presidente Uribe, porém, tem se mostrado resistente em negociar com o grupo.

Na terça-feira, ele afirmou que não se deixará "enganar" pelas Farc e reiterou sua política de resgate militar forçado dos reféns. "Se (as Farc) não soltam, nós vamos resgatá-los", disse.

A estratégia é duramente criticada pelos ex-reféns e por familiares daqueles que ainda estão em cativeiro, pois representaria um grande risco para os sequestrados.

Segundo o relato de Sigifredo López, que coincide com o de todos os reféns recentemente libertados, a ordem do comando da guerrilha é de assassinar os prisioneiros no caso de uma tentativa forçada de resgate.

"Ordenar um resgate militar significa assassiná-los (os reféns)", disse López.

Em 2007, os 11 deputados sequestrados junto com López foram executados pela guerrilha depois que os rebeldes avaliaram que um grupo armado tentaria resgatá-los.

López, o único sobrevivente, escapou porque foi separado dos demais como represália por ter discutido com um dos guerrilheiros.

"Mataram por covardia, por medo, por paranoia, porque essa é a ordem (...). Pensavam que viria o Exército. Jamais deveriam ter tirado a vida dos meus amigos, eles acreditavam na vida. Eles os assassinaram de uma maneira mesquinha", afirmou López, com a voz embargada.

"Vale a pena continuar anunciando resgates?", acrescentou. Para o ex-parlamentar, a resistência do governo colombiano em negociar um acordo aumenta a violência da guerrilha.

"Se fechamos todos os espaços políticos para as Farc, eles são levados a fazer terrorismo", afirmou.

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