Ex-refém diz que Farc mataram grupo de 11 deputados na floresta

Cali (Colômbia), 5 fev (EFE).- O ex-deputado Sigifredo López confirmou hoje que os 11 parlamentares de Valle del Cauca sequestrados junto com ele em 2002 foram assassinados de forma vil pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e que as execuções não aconteceram durante um confronto com o Exército.

EFE |

Com seu relato, esperado com impaciência desde 18 de junho de 2007, quando aconteceu o massacre, López desmentiu a versão das Farc, segundo a qual os deputados tinham morrido durante uma suposta operação de resgate lançada pelos militares.

"O país sabia que as Farc assassinaram meus colegas. O país não sabia de alguns dados específicos. As Farc sabiam que eu sabia que não tinha havido combates. Não houve combates. Se tivesse havido combates, teríamos mudado de região", contou López, o único sobrevivente do grupo de deputados sequestrados.

O agora ex-refém da guerrilha explicou que tudo começou em 14 de junho, quando foi separado de seus companheiros como punição por ter elevado a voz durante uma discussão com outro sequestrado.

"Não nos permitiam falar. Éramos como um grupo de leprosos. Nesse dia, tínhamos pedido que trocassem o plástico que servia de barraca porque estava rasgado", lembrou.

O ex-deputado disse que, ao receber o novo plástico, discutiu com um colega de cativeiro.

"Um guarda achou que estávamos falando muito alto", prosseguiu López, que explicou que, por esse motivo, foi colocado a 200 metros dos outros reféns e amarrado em uma corrente para rebocar caminhões.

Passaram-se quatro dias até que, em 18 de junho de 2007, quando continuava acorrentado e separado dos outros deputados, López ouviu dois tiros, seguidos por outros dois e por uma série de rajadas.

"Joguei-me no chão, pensei que era um resgate. É a única lembrança que tenho. Meu Deus! Despedi-me de meus filhinhos, da minha família. Estava jogado no chão e, depois de três minutos, começaram as rajadas. Isso durou uma hora", acrescentou.

Depois, veio o silêncio, e López percebeu a aproximação de um guerrilheiro, que o obrigou a se andar até um rio e depois a uma casa humilde, onde havia um laboratório de cocaína.

Foi lá que, dias depois, soube o ex-deputado pelo rádio que seus companheiros tinham morrido.

"Não posso dizer o que aconteceu porque não sei. Eu imaginava um resgate. Mas se tivesse havido um resgate teria ouvido helicópteros.

Se tivesse havido um resgate, a guerrilha não teria ficado ali", declarou.

López insistiu que "não houve combate, nem helicópteros, nem nada", e contou que, depois, um comandante das Farc disse que integrantes da frente 19 do grupo insurgente tinham chegado ao acampamento sem avisar, o que provocou o início do tiroteio. EFE fer/sc

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