Ex-refém das Farc relata horror em floresta colombiana

'A única coisa que podia fazer era correr', diz Luís Erazo, que sobreviveu a execução após 12 anos de sequestro

iG São Paulo |

Quando começaram os tiros, o sargento da polícia Luís Erazo se embrenhou pela floresta, a única alternativa à morte, enquanto seus sequestradores guerrilheiros colombianos lançavam granadas contra ele. Quatro companheiros sequestrados foram mortos a tiros pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

O grupo decidiu executar os reféns quando soldados se aproximaram de seu esconderijo durante uma operação no fim de semana. Erazo, prisioneiro por quase 12 anos, foi o único sobrevivente.

Reuters
Luís Erazo conversa com o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, em hospital de Bogotá (27/11)

Três guerrilheiros perseguiram Erazo, atirando enquanto ele fugia pela mata. "Ouvi os tiros a cerca de 20, 30 metros de mim e pensei: 'O que é isso, irmão?'", disse ele a uma rádio local. "Senti o impacto no rosto e no pescoço, os tiros eram contra mim, e a única coisa que podia fazer era correr."

Erazo acabou se escondendo em um tronco, ouvindo os soldados lutando com os seus sequestradores. Ele saiu engatinhando ao ouvir serras elétricas derrubando árvores para que os helicópteros militares pousassem.

Nas florestas de Caquetá, os corpos de quatro integrantes das Forças Armadas da Colômbia foram encontrados ao lado de correntes de metal - três deles com balas alojadas na cabeça e um quarto atingido nas costas.

Eles foram mantidos reféns pelo grupo por até 14 anos.

A execução enquanto os soldados se aproximavam do esconderijo das Farc é o ato mais violento promovido pelos rebeldes desde que as forças especiais mataram o líder deles, Alfonso Cano, no começo do mês.

A missão deste sábado começou 45 dias antes, depois de uma pista de que os sequestrados estariam sendo mantidos na área. As quatro vítimas foram baleadas quando os militares iniciaram um tiroteio com os rebeldes. O governo disse nesta segunda-feira que soldados estavam tentando localizar os reféns - e não fazer o resgate.

"Eles foram torturados durante mais de uma década de cativeiro e depois assassinados", disse o presidente Juan Manuel Santos depois que os assassinatos vieram a público. "É um crime atroz."

Com Reuters

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