Ex-refém das Farc atribui separação de seu filho a Ingrid Betancourt

Bogotá, 6 abr (EFE).- As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) separaram a ex-refém Clara Rojas de seu filho Emmanuel, nascido em cativeiro, a pedido de Ingrid Betancourt e do coronel Luis Mendieta, sustenta a mãe do menino em entrevista publicada hoje pelo jornal El Tiempo.

EFE |

Em 2002, Rojas foi candidata à Vice-Presidência da Colômbia em uma chapa liderada por Betancourt.

"Os responsáveis por terem me separado de Emmanuel foram eles", afirma Rojas, antecipando um dos episódios narrados em "Cautiva" ("Refém", em tradução livre), livro sobre sua experiência de quase seis anos nas mãos dos rebeldes das Farc e que será lançado em Bogotá.

Rojas diz que o rebelde "Martín Sombra", que vigiava muitos dos sequestrados pelas Farc, ordenou a saída do bebê a pedido da agora ex-refém Betancourt e de Mendieta, ainda em cativeiro.

"Martín Sombra", atualmente detido, disse que Betancourt e Mendieta acusaram Rojas de "maltratar" a criança, nascido em abril de 2004 e cujo pai é um rebelde cuja identidade foi mantida em segredo pela ex-refém.

Com poucos meses de vida, o bebê, doente, foi entregue à família de um camponês, que então o pôs à disposição do Instituto Colombiano de Bem-Estar Familiar (ICBF).

Emmanuel foi localizado em um dos albergues do ICBF em Bogotá em janeiro de 2008, poucos dias antes de as Farc libertarem sua mãe.

"Acontece que o ambiente lá era muito tenso, tudo o que eu fazia com a criança parecia ruim", explica Clara Rojas na entrevista, dizendo que Betancourt e Mendieta eram "intolerantes".

Além disso, a ex-refém revela as dificuldades de sua relação com os outros sequestrados, as quais conduziram à ruptura de sua amizade com Betancourt, franco-colombiana com quem foi capturada em fevereiro de 2002, quando ambas estavam em campanha para as eleições presidenciais do mesmo ano.

"Não posso explicar as condutas de Ingrid", acrescenta Rojas, revelando também que Betancourt, resgatada em julho de 2008 pelo Exército da Colômbia junto a três americanos e 11 outros reféns, não permitiu que ela usasse um dicionário de línguas entregue pelos rebeldes e que, inclusive, a expulsou das aulas de francês que oferecia na floresta. EFE jgh/bba

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