Ex-refém britânico pagou parte da fiança para libertar líder da Al Qaeda

Londres, 9 mai (EFE) - Norman Kember, um pacifista britânico seqüestrado no Iraque, pagou parte da fiança da liberdade condicional decretada nesta quinta-feira para o clérigo radical Abu Qatada, considerado o embaixador espiritual na Europa do líder da Al Qaeda, Osama bin Laden, informou hoje a emissora pública BBC.

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Kember, de 77 anos, justificou sua decisão como gesto de "reciprocidade e bondade", já que Qatada ajudou-o durante o cativeiro ao qual foi submetido no Iraque entre 26 de novembro de 2005 e 23 de março de 2006.

Em dezembro de 2005, o clérigo pediu a libertação do britânico e de outros três voluntários (dois canadenses e um americano) seqüestrados pelo grupo radical Brigadas das Espadas da Lei, em um vídeo gravado em sua cela da prisão londrina de Belmarsh e que foi exibido no Oriente Médio.

Um tribunal especial de imigração britânica decidiu libertar, mediante pagamento de fiança, Qatada, de origem jordaniana e cujo verdadeiro nome é Omar Mahmoud Mohammed Othman, que deverá observar também um toque de recolher de 22 horas ao dia quando estiver livre.

O clérigo, detido no Reino Unido desde 2002, ganhou em abril um recurso de apelação apresentado contra a decisão do Governo britânico de deportá-lo à Jordânia, onde foi condenado à prisão perpétua por envolvimento em atentados em 1998.

A ministra do Interior britânica, Jacqui Smith, que apelará da decisão judicial de impedir a deportação de Qatada a seu país, disse estar "muito decepcionada" com a sentença e ressaltou que dará "todos os passos necessários para proteger os cidadãos".

Kember, que não informou quando pagou a fiança (cujo valor também não foi divulgado), admitiu que, "talvez, ele (Qatada) devesse estar na prisão", mas questionou: "Se existem provas claras (contra si), por que o Governo não as mostra".

No entanto, o pacifista insistiu em que não compartilha das opiniões "extremistas" de Qatada, mas admitiu que espera "ser criticado" por sua decisão.

O ex-refém disse ainda que não falou com o clérigo pessoalmente, mas que lhe enviou um exemplar do livro no qual relatou seu seqüestro, "Hostage in Iraq", mas desconhece se o líder da Al Qaeda leu a obra.

Norman Kember acrescentou que o Islã é "demonizado" pelo Ocidente e defendeu um maior diálogo com o mundo islâmico.

O Governo britânico acusa Qatada de ter "conexões estabelecidas há muito tempo" com a Al Qaeda e diversos grupos radicais islâmicos, como o egípcio "Jihad".

Qatada negou essas acusações e insistiu, inclusive, em que não conhece Bin Laden.

Nascido em 1960, Abu Qatada obteve em 1994 asilo político no Reino Unido, aonde chegou um ano antes com um passaporte falso dos Emirados Árabes Unidos após fugir de seu país de origem. EFE pa/db

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