Expulsos, diplomatas iranianos deixam Londres

Relações diplomáticas entre Irã e Reino Unido estão no seu nível mais baixo desde 1989

iG São Paulo |

Todos os diplomatas iranianos deixaram o Reino Unido na sexta-feira, cumprindo a ordem de expulsão emitida pelo governo local como represália à invasão dessa semana na embaixada do Reino Unido em Teerã. "Posso confirmar que, nessa tarde, todo o pessoal diplomático da embaixada iraniana em Londres decolou do aeroporto de Heathrow," disse um porta-voz da chancelaria.

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Homens retiram caixas do que seria a residência de diplomatas iranianos em Londres. Reino Unido expulsou a delegação do país após ataque à sua embaixada em Teerã
A expulsão dos embaixadores aumenta a tensão nas relações bilaterais. O chanceler britânico, William Hague, disse que tomou essa decisão por considerar que o governo iraniano foi conivente com o ataque de terça-feira contra a embaixada britânica, realizado por estudantes que protestavam contra a adoção unilateral de sanções do Reino Unido contra o programa nuclear iraniano.

Agora, as relações diplomáticas entre Irã e Reino Unido estão no seu nível mais baixo desde 1989, quando os dois países romperam por causa da publicação do romance Os Versos Satânicos, de Salman Rushdie, que o regime iraniano considerou blasfemo.

Os diplomatas iranianos deixaram a Grã-Bretanha discretamente. A bandeira do Irã continua hasteada na embaixada, na zona oeste da cidade, cenário de um dramático incidente em 1980, quando homens armados tomaram 21 reféns durante seis dias, sendo que dois morreram.

Do outro lado da rua, uma dúzia de manifestantes contrários ao regime islâmico de Teerã gritava "Irã livre" e exigia a retirada dos "terroristas." Alguns policiais vigiavam a situação. Por causa do incidente de terça-feira, o Reino Unido também retirou o seu pessoal diplomático do Irã.

Analistas dizem que o fechamento da embaixada interrompe um importante canal de comunicação e complica a busca de uma solução diplomática para a crise envolvendo o programa nuclear iraniano.

A invasão da embaixada aconteceu dois dias depois de o Parlamento do Irã aprovar a redução das relações com o Reino Unido em retaliação à decisão de Londres cortar, no dia 21, todos os laços financeiros com bancos iranianos . As medidas britânicas fazem parte de uma nova série de sanções impostas pelos países ocidentais a Teerã.

As punições foram tomadas depois de um relatório da Agência Internacional de Energia Atômica reafirmar as suspeitas de que o programa nuclear de Teerã tem objetivos militares. O Irã negou em reiteradas ocasiões que queira fabricar armas atômicas, afirmando que seu programa nuclear tem fins civis.

O embaixador britânico no Irã, Dominick Chilcott, disse que radicais do regime iraniano podem ter estimulado o ataque à embaixada por considerar que um confronto uniria os iranianos contra os estrangeiros.

Para o diplomata, no entanto, houve um erro de cálculo. "Eles provavelmente não esperavam que iríamos mandar para casa (o pessoal da) embaixada iraniana em Londres e, nas entrelinhas, pode-se ver na forma como eles reagiram a isso algum remorso por ter provocado (o ataque)," afirmou Chilcott à BBC.

Segundo a Associated Press, o Irã preparou uma recepção de boas vindas aos diplomatas expulsos de Londres. O evento oficial previsto para as cerca de duas dezenas de diplomatas e suas famílias, incluindo um raro convite para a mídia estrangeira ir ao aeroporto, aparentemente foi planejado para enviar uma mensagem de que o Irã não vai buscar medidas rápidas para curar o ocorrido.

Além do Reino Unido, Alemanha, França e Holanda pediram que seus embaixadores retornassem. O porta-voz da chancelaria iraniana, Ramin Mehmanparast, disse que seu país certamente "retaliará" o Reino Unido pelas expulsões.

O embaixador britânico no Irã, Dominick Chilcott - agora de volta ao Reino Unido - deu novos detalhes sobre os ataques, dizendo que a experiência foi "assustadora". "Nós não fazíamos ideia de como aquilo iria terminar", disse, descrevendo como a multidão vandalizou as salas, pichou suas paredes e rasgou um retrato da rainha Vitória.

"Parecia um vandalismo muito rancoroso e sem sentido, mas não chegou a ser estúpido", disse Chilcott. "Eles tiraram tudo o que era eletrônico - celulares, computadores pessoais - qualquer coisa que pudesse dar informações sobre com quem você estava falando ou o que estava fazendo."

Com Reuters e AP

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