Expulsão de famílias palestinas de Jerusalém provoca indignação

Israel expulsou neste domingo duas famílias palestinas de suas casas de um bairro árabe de Jerusalém Oriental, como parte de sua política de colonização da cidade, o que provocou uma onda de protestos da comunidade internacional.

AFP |

"Nasci nesta casa e meus filhos também. Vivia legalmente aqui, mas agora estamos na rua. Somos refugiados", disse Maher Hanun após ser expulso de sua casa em Cheikh Jarrah, um bairro árabe da parte oriental de Jerusalém, conquistada e anexada em 1967 por Israel.

Homens da polícia de choque israelense cercaram uma das casas desapropriadas, na rua Othman Ben Afan, enquanto guardas de fronteira e ambulancias permaneciam a postos na mesma região.

Dezenas de manifestantes protestaram contra a medida e a polícia deteve treze pessoas após distúrbios. A TV mostrou uma menina em lágrimas quando era retirada de sua casa.

"Todos têm medo de ser expulsos. Estamos aqui desde 1956 em virtude do acordo firmado pelas autoridades jordanianas com a UNWRA", o escritório das Nações Unidas para Ajuda aos Refugiados Palestinos, lembrou Amal Kassem, uma vizinha. "Os títulos de propriedade apresentados pelos colonos judeus são falsos".

A remoção foi decretada após a Suprema Corte de Israel rejeitar a apelação das famílias Al Ghawe e Hanun contra a medida obtida na Justiça pela organização de colonos Nahalat Shimon International.

Esta ordem afeta 53 pessoas, incluindo 19 menores, e provocou a ira de Saeb Erakat, principal negociador palestino.

"Israel ignora o direito internacional e os direitos humanos (...) Os colonos se instalam em casas que pertencem aos palestinos, e há 19 crianças sem teto", declarou Erakat à imprensa.

Richard Miron, coordenador especial da ONU para o processo de paz, deplorou "totalmente as ações inaceitáveis de Israel, que expulsa de suas casas famílias palestinas registradas pela UNWRA".

O organismo de refugiados da ONU qualificou a decisão de "inaceitável, deplorável e com efeitos desastrosos".

O consulado britânico em Jerusalém disse estar "chocado" e considerou que a expulsão é "incompatível com o desejo de paz que professa Israel".

No mês passado, Estados Unidos, União Européia (UE) e Rússia denunciaram o projeto de construção de cerca de 20 apartamentos destinados a israelenses em Cheikh Jarrah.

Israel considera que a totalidade de Jerusalém é a sua capital, algo rejeitado pela comunidade internacional.

Ao menos 200 mil israelenses já se instalaram em bairros de Jerusalém Oriental, onde vivem cerca de 270 mil palestinos.

ChW/LR

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