María Peña. Washington, 12 set (EFE).- Os Estados Unidos acusaram hoje um ex-ministro e dois altos funcionários venezuelanos de ajudar à guerrilha colombiana com o narcotráfico, em meio a atritos diplomáticos pela expulsão de embaixadores.

O Governo de Washington anunciou a expulsão do embaixador venezuelano perante a Casa Branca, Bernardo Álvarez, depois que Caracas desse, na quinta-feira, 72 horas para o embaixador americano Patrick Duddy deixar a Venezuela.

Paralelamente, os EUA acusaram hoje um ex-ministro do Interior e dois altos funcionários venezuelanos de ajudar à guerrilha colombiana em operações de narcotráfico, e disse que eles terão seus bens congelados.

Os acusados são Hugo Armando Carvajal Barrios, diretor da Direção Geral de Inteligência Militar; Henry de Jesús Rangel Silva, diretor da Polícia secreta venezuelana (Disip); e Ramón Emilio Rodríguez Chacín, que foi ministro do Interior e Justiça até 8 de setembro.

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, anunciou na quinta-feira que expulsaria Duddy em solidariedade ao presidente da Bolívia, Evo Morales, um de seus parceiros na Alternativa Bolivariana para os Povos da América (Alba).

Álvarez, que tinha convocado uma coletiva de imprensa hoje em Washington para destacar os avanços da Venezuela na luta contra o narcotráfico, acabou cancelando o evento sem dar muitos detalhes.

Espera-se que o embaixador venezuelano parta imediatamente para Caracas, embora uma porta-voz da embaixada não tenha precisado quando.

A expulsão aconteceu um dia depois que o presidente da Bolívia, Evo Morales, ter declarado Duddy persona non grata e expulsado o representante americano nesse país, Philip Goldberg, acusado de instigar a nova onda de violência gerada pela oposição política.

"O embaixador (Duddy) tem 72 horas para abandonar o território e mandei (o recado) pelo nosso embaixador", disse Chávez na quinta-feira em um ato de apoio aos candidatos governistas para as eleições de prefeitos e governadores de novembro.

É a primeira vez na história recente que ocorrem duas expulsões simultâneas de diplomatas americanos na região.

A expulsão de Duddy e Goldberg "reflete a fraqueza e o desespero" de Chávez e Morales "frente aos desafios internos" em seus países, disse o porta-voz do Departamento de Estado, Sean McCormack, ao explicar a expulsão de Álvarez.

Chávez, que já acusou Washington de querer derrubá-lo, ameaçou outra vez interromper o fornecimento de petróleo aos EUA caso ocorresse uma agressão contra seu país.

A Venezuela é um dos principais produtores de hidrocarbonetos no mundo e um dos principais exportadores dos EUA.

McCormack afirmou que as acusações de Bolívia e Venezuela contra os embaixadores são falsas, que Washington mantém uma "agenda positiva" para a região e que "a única derrubada" que procura é "a da pobreza".

Vários líderes do Congresso consultados pela Efe concordaram que a decisão de Chávez dificulta a cooperação regional.

"Isto é uma bobagem de Chávez, é algo contraproducente e dificulta o trabalho em comum dos dois países. Se a meta de Chávez é aliviar a pobreza, não vejo como isto pode ajudar", disse Eliot Engel, presidente da subcomissão para o Hemisfério Ocidental da Câmara de Representantes dos EUA.

"Isto é uma provocação que piora as coisas, embora Chávez acredite que com isto possa atingir os EUA. Seguiremos trabalhando com nossos vizinhos para debater os assuntos de desigualdade econômica e injustiça social", acrescentou Engel.

O legislador republicano pela Flórida, Connie Mack, um crítico ferrenho de Chávez, condenou a expulsão de Duddy, e considerou que "claramente foi coordenada" por Chávez para "fortalecer sua influência em toda a América Latina e para minar os vínculos dos EUA" com seus aliados na região.

Ele acrescentou que isto poderia ter sido previsto "se a Organização dos Estados Americanos (OEA) tivesse tido liderança e vontade para fazê-lo".

Mack também condenou a chegada de dois bombardeiros russos Tu-160 Blackjack à Venezuela para manobras conjuntas, o primeiro desdobramento de aeronaves da Rússia no continente desde a Guerra Fria.

O secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, por enquanto, mantém silêncio. EFE mp/bm/rr

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