Ex-procurador é acusado por morte de oposicionistas no Irã

Uma comissão parlamentar acusou neste domingo o ex-procurador de Teerã Said Mortazavi de ter enviado manifestantes da oposição a uma prisão da capital iraniana onde três morreram vítimas de maus-tratos.

AFP |

A penitenciária de Kahrizak, ao sul de Teerã, "desonrou a República Islâmica", declarou a comissão encarregada de investigar os incidentes ligados às manifestações contra a reeleição, em 12 de junho, do presidente Mahmud Ahmadinejad, em um relatório muito aguardado citado por várias agências de notícias.

O centro de Kahrizak foi fechado em julho por decisão do Guia Supremo, o aiatolá Ali Khamenei, após estas mortes e muitas informações sobre maus-tratos infligidos aos prisioneiros naquela penitenciária.

"Os prisioneiros foram enviados a Kahrizak por ordem de Said Mortazavi", disse a comissão neste relatório, lido diante do Parlamento.

De acordo com o documento, 147 manifestantes detidos no dia 9 de julho "ficaram presos durante quatro dias junto com 30 criminosos de alta periculosidade em condições difíceis, sendo ainda humilhados e espancados pelos guardas penitenciários".

"As autoridades judiciárias têm de tomar providências para punir todos os responsáveis, sem reservas e sem levar em conta seus respectivos cargos", acrescentou a comissão.

As autoridades iranianas alegaram inicialmente que as três vítimas tinham contraído meningite, antes de voltar atrás e admitir que haviam sido espancadas até a morte.

Doze guardas e policiais de Kahrizak estão sendo julgados por estes fatos.

Mortazavi, 42 anos, fora afastado do cargo no fim de agosto, sendo rebaixado para procurador-geral adjunto.

A comissão desmentiu "categoricamente" as acusações proferidas pela oposição segundo as quais alguns prisioneiros teriam sido estuprados. Em seu relatório, ela ainda acusou - sem nomeá-los - o ex-primeiro-ministro Mir Hossein Mussavi e o ex-presidente do Parlamento Mehdi Karubi de terem provocado a violência que seguiu a reeleição de Ahmadinejad ao denunciar a existência de graves irregularidades na votação de 12 de junho.

"Se os dois candidatos não tivessem descumprido a lei e provocado o povo, não teríamos assistido a estes amargos acontecimentos, que desonram o sagrado regime islâmico", considerou a comissão.

Os dois dirigentes "devem ser responsabilizados, e a justiça não pode minimizar o comportamento deles", finalizou a comissão, dominada pelos conservadores, em seu relatório.

aet/yw

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