Teerã, 17 jan (EFE).- O ex-procurador-geral do Irã Said Mortazavi negou hoje que seja o principal responsável pelas mortes e torturas de representantes da oposição na prisão de Kahrizak, para onde várias pessoas foram levadas durante a repressão aos protestos pós-eleitorais do ano passado.

Segundo a agência de notícias local "Mehr", Mortazavi enviou uma carta ao presidente do Legislativo, o conservador Ali Larijani.

Nela, ele refuta o conteúdo de um relatório da comissão parlamentar que investigou as mortes e torturas no presídio.

"O relatório continha falhas e erros. Mas mesmo assim não faz acusação alguma contra mim. Alguns meios de comunicação manipularam a realidade ao fazer interpretações subjetivas", disse Mortazavi, considerado um estreito colaborador do presidente Mahmoud Ahmadinejad.

A prisão de Kahrizak, aparentemente construída para abrigar presos perigosos, foi fechada por ordem direta do líder supremo da Revolução, o aiatolá Ali Khamenei, depois de um escândalo sobre maus-tratos no local.

Um relatório apresentado há dez dias ao Parlamento culpou o então procurador-geral pela morte de três opositores, um dos quais era filho de um assessor do candidato conservador Mohsen Rezaei, derrotado nas eleições de junho passado.

A investigação concluiu que Mortazavi, mesmo sabendo que havia vagas em outras cadeias, ordenou o encarceramento de 147 detidos nos protestos pós-eleitoriaa de 9 de julho em uma cela de 70 metros quadrados com presos perigos e péssimas condições de salubridade.

Em sua carta, Mortazavi nega que os diretores do presídio de Kahrizak tivessem dito que não havia lugar para mais presos no local e que tivesse assinado a ordem para os opositores serem levados para lá.

"Os jornais 'Yomhuri Eslami' e 'Hamshahri' introduziram meu nome entre parênteses, mas eu não fui o responsável que assinou a carta de transferência dos presos para Kahrizak", explicou o ex-procurador, que agora foi nomeado diretor da "plataforma de para luta contra o contrabando de droga e divisas". EFE msh/sc

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