O ex-procurador dos tribunais da guerra contra o terrorismo afirmou que os processos de Guantánamo foram sufocados pela pressão política e o uso de evidências obtidas por meio do abuso de prisioneiros, informa a imprensa americana.

O coronel Morris Davis, que renunciou ano passado ao cargo de procurador-chefe do Pentágono para casos de terrorismo, foi convocado a testemunhar na segunda-feira sobre o ex-motorista de Osama bin Laden em uma comissão militar na base naval dos Estados Unidos em Guantánamo, Cuba.

Davis disse que altos funcionários do governo George W. Bush exigiram que ele acelerasse os julgamentos dos principais suspeitos por razões políticas, informa o jornal Washington Post.

O secretário de Defesa adjunto Gordon England e outras autoridades do Pentágono afirmaram ao coronel que apresentar acusações contra detentos bem conhecidos antes das eleições deste ano poderia ter um "valor político estratégico".

Davis também acusou o general Thomas Hartmann, assessor legal dos tribunais, de tolerar evidências obtidas com simulações de asfixia, um método de interrogatório condenado amplamente como forma de tortura.

"Permitir ou fazer com que um procurador vá à corte e ofereça evidência que eles sentiam que era tortura deixa o promotor em um dilema ético", disse Davis à corte.

Quando falou isto, recebeu como resposta de Hartmann: "É um jogo justo, deixe que o juiz resolva".

Davis disse que o assessor legal geral do Departamento de Defesa, William Haynes, uma vez se referiu à possibilidade de que alguns réus poderiam ser absolvidos, o que Davis disse que daria mais legitimidade ap sistema.

"Ele disse: 'Não podemos ter absolvições'", declarou Davis citando Haynes. "'Prendemos estes caras durante anos. Como poderemos explicar as absolvições?'".

Davis, um procurador transformado em testemunha de defesa, prestou depoimento no caso de Salim Ahmed Hamdan, suposto motorista de Osama bin Laden e acusado de dar respaldo material ao terrorismo.

ddl/fp

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