Ex-prisioneiro muçulmano é o 1º a depor na retomada do julgamento de Karadzic

Haia, 13 abr (EFE).- O ex-prisioneiro bósnio muçulmano Ahmet Zulic foi a primeira testemunha a depor hoje na retomada do julgamento contra o antigo líder servo-bósnio Radovan Karadzic, acusado de levar a cabo uma limpeza étnica em Sanski Most (Bósnia).

EFE |

Zulic relatou a brutalidade das condições do campo de detenção para que foi levado e a forma como foi tratado pelas tropas sérvias.

"Perante a falta de água, durante a prisão só podíamos beber nossa própria urina", narrou o ex-prisioneiro, que descreveu as condições "subumanas" às que foi submetido durante seu cativeiro.

Ele explicou que viveu junto a dezenas de outros prisioneiros em uma pequena garagem e relatou as surras que eles levavam. "Às vezes um homem nos segurava enquanto outro nos batia com um taco". Zulic afirmou que recebeu uma surra brutal por se negar a se benzer, como um soldado tinha lhe mandado.

"Quando alguma criança os observava, os sérvios diziam estar praticando caratê", disse.

Zulic contou que sem água e amontoados em pequenos espaços, muitos prisioneiros morreram por desidratação. "Alguns morriam no meio da noite entre gritos, em dez minutos que pareciam uma eternidade, enquanto outros morriam silenciosamente", acrescentou.

O ex-prisioneiro foi a primeira testemunha na fase de prova do julgamento a Karadzic por genocídio e crimes contra a humanidade no Tribunal Penal Internacional para a Antiga Iugoslávia (TPII), retomado hoje em Haia.

Zulic já colaborou antes em julgamentos contra outros supostos criminosos de guerra da antiga Iugoslávia em Haia, como o ex-presidente sérvio Slobodan Milosevic.

Karadzic, que se declara inocente e é o responsável pela sua defesa, pode ser condenado a prisão perpétua caso seja declarado culpado de ser o "comandante supremo" de uma campanha de limpeza étnica contra os muçulmanos, como acusa o fiscal Alan Tieger.

Nos dias 1 e 2 de março, em suas alegações iniciais, Karadzic chamou o massacre de Srebrenica, realizado em julho de 1995, de mito. Na época cerca de oito mil homens e adolescentes morreram após a tomada da cidade majoritariamente muçulmana pelas forças servo-bósnias. EFE lmi/pb

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