A Liga Awami, da ex-primeira-ministra de Bangladesh Hasina Wajed, venceu as eleições legislativas com mais de 75% dos votos, anunciou a comissão eleitoral.

Com 61 anos, a política se recupera de sua derrota em 2001 ante sua grande adversária, Khaleda Zia.

O porta-voz da comissão, S.M. Asaduzzaman, informou que o partido de Hasina obteve 229 das 295 cadeiras decididas, de um total de 299.

"Ela obteve uma clara maioria para governar sem a necessidade de outro partido", disse Asaduzzaman.

"Nossa dirigente defendeu a mudança e o povo respondeu a esse chamado", declarou a porta-voz da Liga Awami, Nuh Alam Lenin.

No entanto, o BNP de Khaleda - primeira-ministra em duas ocasiões (1991-1996 e 2001-2006) - denunciou várias irregularidades, o que faz temer que explodam tensões depois das eleições.

As eleições tinham como objetivo restabelecer a democracia em Bangladesh, depois de dois anos de estado de emergência imposto pelo regime de transição apoiado pelo Exército.

A participação foi muito elevada: mais de 85% dos 81 milhões de eleitores convocados as urnas desafiaram o frio de segunda-feira para exercer seu direito ao voto nas primeiras legislativas desde 2001, seguidas por 200 mil observadores e 660 mil membros das forças de ordem.

Esta nação laica extremamente pobre do sudeste asiático, de maioria muçulmana, celebra suas primeiras eleições em sete anos, em meio a uma mobilização de segurança sem precedentes para evitar qualquer atentado ou irregularidade nas urnas.

Nas vésperas das eleições, as autoridades detiveram 23 supostos militantes islamitas no país, golpeado nos últimos anos por uma série de atentados.

Quanto à transparência das eleições, a comunidade internacional comemorou os esforços de Dacca, que eliminou das listas eleitorais 13 milhões de eleitores 'fantasmas'.

O atual regime, liderado pelo ex-presidente do Banco Central Fajruddin Ahmed, está no poder desde janeiro de 2007, quando o Exército impôs o estado de exceção e cancelou as eleições depois de meses de violência política.

Com estas eleições, a nação, de 144 milhões de habitantes, espera não apenas deixar para trás esta etapa, mas também superar de uma vez por todas um período de 40 anos de golpes de Estado e violência.

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