Ex-presos cubanos denunciam abusos contra mãe de Orlando Zapata

Mais dois dissidentes cubanos chegam à Espanha; eles se somam ao grupo de 23 também enviados a Madri desde julho

AFP |

Os dois presos cubanos que chegaram nesta quinta-feira a Madri denunciaram abusos contra a mãe do dissidente Orlando Zapata , morto depois de uma greve de fome, e consideraram as libertações um meio de o regime cubano aliviar as pressões internacionais.

Os jornalistas Juan Carlos Herrera Acosta e Fabio Prieto denunciaram os abusos cometidos pelas forças de segurança cubanas contra Reina Luisa Tamayo, mãe de Orlando Zapata, morto em fevereiro depois de dois meses e meio em greve de fome.

AP
Dissidente cubano Fabio Prieto é abraçado ao chegar a hotel em Madrid, Espanha
"Não lhe permitem caminhar para uma igreja e rezar por seu filho", disse Herrera, referindo-se aos atos de hostilidade contra Tamayo na localidade de Balnes, na Província de Holguín. "Por isso, fazemos um chamado ao mundo inteiro, à União Europeia, e à comunidade das nações democráticas, para que se pronunciem contra essa barbárie", disse Herrera.

"Que ninguém espere que com os irmãos Castro ocorram mudanças", completou Herrera, para quem o presidente cubano Raúl Castro, e seu irmão Fidel, são "capitalistas disfarçados que estão sangrando nossa nação há 51 anos".

"O regime continua igual, corrupto e militar", disse, por sua vez, seu companheiro Prieto, que considerou que sua libertação e a dos outros dissidentes cubanos busca "diminuir a pressão internacional" sobre o regime. Em Cuba "não há desenvolvimento, tudo está parado, as pessoas querem sair do país do jeito que está", declarou.

Prieto aproveitou para agradecer a Igreja Católica cubana e o governo espanhol por sua libertação e acolhida , mas confessou ter viajado à Espanha com uma "mistura de tristeza e alegria". "Alegra-me ter recuperado a liberdade, mas me entristece saber que Cuba continua igual", disse, ao lado de Herrera.

Herrera, de 44 anos, foi o primeiro a chegar em um voo que aterrissou no aeroporto de Madri-Barajas às 12h15 locais (07h15 de Brasília), e pouco depois Prieto, de 47 anos, chegou em outro voo, às 13h45 locais (08h45 de Brasília). Para a sexta-feira, está prevista a chegada de Juan Adolfo Fernández, outro jornalista de 61 anos.

A chegada de Fernández elevará para 26 o número de opositores cubanos que chegaram à Espanha desde 12 de julho , em meio ao acordo fechado com o governo cubano, depois da mediação da Igreja Católica cubana, com o apoio da Espanha, de libertar em quatro meses 52 presos políticos .

Esses dissidentes em processo de libertação são o restante dos 75 opositores condenados a penas de 6 a 28 anos de prisão em 2003 durante a chamada "primavera negra".

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