Ex-presidentes latino-americanos discutem planos contra pobreza

Quito, 3 out (EFE).- O chefe de Estado equatoriano, Rafael Correa, e dez ex-presidentes de países latino-americanos, convocados pelo peruano Alejandro Toledo, se reuniram hoje em Guayaquil, no Equador, para discutir mecanismos de combate à pobreza na região, com desenvolvimento e igualdade.

EFE |

Ao inaugurar o 3º "Encontro por uma nova agenda social para a América Latina", Correa afirmou que "acabar com a pobreza absoluta é o principal parâmetro de desenvolvimento".

"O crescimento que houve foi empobrecedor e de pouca qualidade, mas com uma melhor distribuição do Produto Interno Bruto (PIB), a pobreza absoluta pode ser erradicada", frisou na abertura do encontro.

Correa indicou que a grande diferença entre épocas passadas e o século XXI "é que antes havia escassez de recursos e carência de tecnologia, fruto de sistemas perversos".

Em seu discurso, Correa falou de segurança alimentar, nutrição, saúde, trabalho e investimento.

"Para o Governo equatoriano, o desenvolvimento não é manter bem os que sempre estiveram bem; é deixar bem os que sempre foram excluídos", afirmou.

Carlos Mesa, ex-presidente da Bolívia, por sua vez, afirmou que a "polarização é inimiga da tolerância e da democracia".

Já o ex-presidente da Costa Rica, Rodrigo Carazo, disse que ideologias de direita ou esquerda são relativas, e que se devem buscar fórmulas que não levem "ao confronto, porque todos perdem".

Referindo-se ao "Socialismo do Século XXI", que defendem Correa e o venezuelano Hugo Chávez, Vicente Fox, ex-presidente do México, disse que se trata de um "tema do século passado, enterrado, já se provou que não funciona".

Alejandro Toledo assegurou, porém, que respeita a esquerda do presidente Luiz Inácio Lula Da Silva e da chefe de Estado do Chile, Michele Bachelet, mas, ao ser consultado sobre a tendência de Correa, disse que deve esperar para opinar, pelo fato de o equatoriano ter apenas 20 meses no poder.

O ex-presidente peruano disse que a motivação comum dos participantes do fórum "é fazer com que os indicadores macroeconômicos sejam considerados como um meio e não como um fim".

"É importante crescer de maneira sustentada, mas se os benefícios desse crescimento não se distribuem entre os mais pobres, então nosso esforço do serviço público e do setor privado tem pouco sentido", disse.

Toledo antecipou que o próximo encontro será no Brasil "em poucos meses" e que o grupo espera entregar uma "primeira minuta" do documento "para abril, quando acontecer a Cúpula Latino-Americana em Trinidad e Tobago".

Para o político peruano, é necessário fortalecer a democracia na América Latina "com um parlamento e poder judiciário independentes, liberdade de expressão, respeito aos direitos e fortalecimento dos partidos políticos".

Também participam da reunião de Guayaquil os ex-presidentes Fernando de la Rúa, da Argentina; Ricardo Maduro, de Honduras; Ernesto Samper, da Colômbia; Nicolás Ardito, do Panamá, e Gustavo Noboa, do Equador. EFE sm/jp/rr

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