Ex-presidente taiuanês é detido acusado de corrupção e lavagem de dinheiro

TAIPÉ - O ex-presidente taiuanês Chen Shui-bian, do independentista Partido Democrata Progressista (PDP), foi detido hoje por agentes da Promotoria Anticorrupção e posto à disposição judicial após ser acusação de corrupção e lavagem de dinheiro.

Redação com agências internacionais |

A detenção, anunciada pela Promotoria, acontece depois de mais de seis horas de interrogatório e com um dispositivo de segurança de mais de 3 mil policiais para controlar possíveis distúrbios.

O porta-voz da Promotoria, Chen Yun-nan, apresentou como razões para a detenção de Chen e o pedido de encarceramento "a existência de suficientes provas" de sua participação em atos de corrupção, enriquecimento ilícito e lavagem de dinheiro, e disse que pretendia evitar que ele conspirasse com outros acusados para ocultar provas.


Chen Shui-bian sai algemado / Reuters

Em um emocionado discurso antes do interrogatório, Chen atribuiu a motivos meramente políticos sua possível detenção e disse se tratar de uma intervenção direta do presidente Ma Ying-jeou para apaziguar a ira da liderança chinesa contra sua postura independentista.

"Sou o obstáculo principal para a união planejada pelo governante Partido Kuomintang (KMT) e o Partido Comunista da China (PCCh)", afirmou Chen, antes de finalizar seu pronunciamento com vivas à Taiwan e à independência da ilha.

Ele saiu algemado com as mãos para cima, gritando saudações a Taiwan e se queixando de "opressão política e judicial", diante de centenas de manifestantes, em sua maioria independentistas favoráveis à sua causa.

Chen, em reunião com partidários na última segunda à tarde e no discurso de hoje, explicou que se preparava para entrar em sua "prisão da Bastilha", em referência à Revolução Francesa, e que dedicaria sua vida a proclamar que "Taiwan e China são dois países diferentes".

Manifestações

Comentaristas na ilha temem que a detenção de Chen provoque distúrbios similares aos registrados durante a visita à ilha do negociador chinês, Chen Yunlin, de 3 a 7 de novembro, nos quais ficaram feridos mais de 150 policiais e 60 manifestantes e jornalistas.

O ex-líder taiuanês realizou nas últimas semanas uma forte atividade política, com discursos nos quais solicita a criação urgente de uma Taiwan independente da China.

Chen reconheceu, no último dia 14, o envio ao exterior de milhões de dólares para contas bancárias de seus familiares, procedentes de contribuições políticas não-declaradas, segundo ele.

A promotoria suspeita que o ex-líder e sua família participaram de cinco casos criminosos de lavagem de dinheiro e suposta corrupção em relação a fundos estatais e projetos de construção pública.

O ex-presidente também é acusado de se apropriar de documentos secretos quando deixou seu cargo, em maio de 2008, escondendo-os do atual Governo.

Na última semana, o filho, a filha e a nora do ex-líder foram interrogados pela Promotoria Anticorrupção em relação ao julgamento de um ex-alto funcionário que reconheceu ter dado informações a Chen sobre acusações internacionais de lavagem de dinheiro contra sua família.

O ex-vice-primeiro-ministro Chiu Yi-jen e outros homens de confiança de Chen foram detidos nas últimas semanas por suposta participação nas acusações que pesam sobre o ex-presidente e seus parentes.

Se o pedido for aceito, Chen será o primeiro ex-chefe de Estado de Taiwan a ser detedo.

Histórico

Chen Shui-bian, eleito em 2000 e reeleito em 2004, concluiu o segundo mandato debilitado por uma série de escândalos de corrupção em seu entorno, que envolveram a própria esposa.

Em 2006 ele foi citado como suspeito em uma investigação sobre a suposta malversação de 443.000 dólares de fundos públicos. No entanto, o processo não avançou na época, já que a presidência garantia imunidade a Chen Shui-bian.

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