Ex-presidente sul-africano tenta salvar acordo no Zimbábue

O ex-presidente sul-africano Thabo Mbeki viaja nesta segunda-feira para a capital do Zimbábue, Harare, com a missão de tentar salvar o acordo entre o presidente do Robert Mugabe e o líder da oposição Morgan Tsvangirai, que haviam concordado em compartilhar o governo do país. Esta será a primeira iniciativa diplomática de Mbeki desde que ele deixou a Presidência sul-africana, poucos dias depois de oficializado o acordo no Zimbábue, em 15 de setembro.

BBC Brasil |

O correspondente da BBC na capital sul-africana, Johannesburgo, Jonah Fisher, diz que Mbeki vai a Harare virtualmente como um cidadão, embora tenha o apoio da entidade regional Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC, em inglês).

O acordo que Mbeki mediou pode naufragar depois que, em uma divisão de Ministérios, Mugabe resolveu alocar as pastas da Defesa e do Interior para seu próprio partido, o Zanu-PF. Tsvangirai ameaçou abandonar o governo compartilhado.

O líder da oposição do Zimbábue disse, no domingo, que, se o Zanu-PF quiser o Ministério da Defesa, o partido MDC teria que ficar com o domínio do Ministério do Interior, que controla a polícia.

Uma lista do governo divulgada no domingo destinava os principais inistérios, inclusive Defesa, Interior, Relações Exteriores e Justiça, para o Zanu-PF.

Pelo acordo, o Zanu-PF deve ter 14 ministérios, o MDC 13 e a dissidência do MDC, três pastas.

Mugabe permanece com o cargo de presidente e Tsvangirai se torna primeiro-ministro, segundo o acordo acertado depois de difíceis negociações, que incluíram também a dissidência do MDC liderada por Arthur Mutambara.

Sem poder
A política de diplomacia discreta de Mbeki, que selou o acordo do mês passado, pode não ter muita eficácia agora que ele perdeu força dentro de seu próprio partido, o Congresso Nacional Africano (CNA).

Fisher afirma que há grande expectativa em saber se o veterano líder do Zimbábue, Robert Mugabe, de 84 anos, estará disposto a ouvir o sul-africano.

O jornalista zimbabuano Brian Hungwe diz que, na capital, há uma grande expectativa de que a intervenção de Mbeki acabe com o impasse que o país enfrenta.

O Zimbábue vive uma profunda crise econômica. Na quinta-feira, foi anunciado que a inflação anual do Zimbábue atingiu 231.000.000% - um recorde mundial.

Em agosto, o governo retirou dez zeros da moeda, mas não conseguiu conter o aumento da inflação, e o Banco Central emitiu nesta segunda-feira uma nova cédula de 50 mil dólares zimbabuanos.

As Nações Unidas dizem que precisam de US$ 140 milhões para dar ajuda alimentar ao Zimbábue nos próximos seis anos.

Segundo a organização, 2 milhões de pessoas precisam de suprimentos e esse número pode aumentar para 5,1 milhões - ou 45% da população - até meados de 2009.

O atual impasse entre Mugabe e Tsvangirai teve origem em eleições disputadas em março, quando o líder da oposição obteve mais votos do que o veterano líder do país, mas não o suficiente para uma vitória sem segundo turno.

Tsvangirai abandonou a disputa em junho, acusando a milícia do Zanu-PF e o Exército de organizar ataques contra os partidários do MDC, matando 200 pessoas.

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG