Assunção, 26 ago (EFE).- O ex-chefe de Estado paraguaio Nicanor Duarte assumiu hoje como senador perante o presidente da Câmara Alta, apesar da oposição da maioria da Casa, cujos representantes não assistiram à sessão e anunciaram que tentarão invalidar o ato.

O presidente do Senado, Enrique González Quintana, da União Nacional de Cidadãos Éticos (Unace), liderada pelo ex-general Lino Oviedo, tomou o juramento de Duarte, o senador mais votado do país nas eleições de 20 de abril.

Naquelas eleições, o Partido Colorado perdeu a Presidência após 61 anos no poder, mas manteve a maior representação no Senado e na Câmara dos Deputados.

O juramento de Duarte foi interrompido diversas vezes pelos grupos que respaldam o Governo do presidente Fernando Lugo, assim como por uma parte dos senadores do Partido Colorado, que argumentam que o ex-chefe de Estado deve assumir como senador vitalício, e não como titular.

Os senadores vitalícios podem discursar nos debates, mas não podem votar, segundo o regimento da casa.

González Quintana pediu que a Justiça Eleitoral e o Tribunal Supremo manifestassem suas decisões para que ele pudesse tomar o juramento do ex-presidente perante um grupo de senadores do Partido Colorado ligados a Duarte e da Unace.

"É uma grande honra fazer parte do Congresso Nacional, do Senado, por decisão da vontade popular. Estamos aqui para servir a República, a governabilidade, para trabalhar por nosso povo sem ódio nem rancores", afirmou Duarte.

O ex-presidente acrescentou que "foi cumprida a ordem dos organismos jurisdicionais competentes, do Tribunal Superior de Justiça Eleitoral e da Corte Suprema", mas reconheceu que seu caso "é um processo que de certa maneira vinha debilitando o presidente, mais do que o Congresso".

Para o senador Carlos Filizzola, do governista Partido País Solidário (PPS), o ato de hoje "é nulo e ilegal", pois "o plenário é a autoridade máxima do Congresso" e, além disso, "a Constituição é clara ao dizer que quem foi presidente deve ser senador vitalício".

Filizzola explicou que os grupos que apóiam Lugo estão tentando fazer com que o Senado não seja paralisado, e não descartou a possibilidade de a maioria dos grupos parlamentares apresentarem uma moção para a destituição de González Quintana como presidente do Congresso.

O chefe de Gabinete da Presidência, Miguel López Perito, reiterou hoje que Lugo defende o direito de Duarte a uma cadeira no Senado, provisoriamente ocupada por outro membro do Partido Colorado, e disse que o chefe de Estado "nunca mudou de posição".

Alguns aliados no Parlamento, como o senador Alberto Grillón, disseram ontem que o juramento de Duarte é fruto de um suposto acordo entre o ex-presidente e Oviedo, que permitiu ao ex-general recuperar a liberdade e concorrer à Presidência do país em abril.

A Unace chegou à Presidência do Senado graças a negociações com os partidos da base de Lugo, que tinham como objetivo garantir a governabilidade do país. EFE lb/wr/gs

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