Ex-presidente Kirchner respeitará decisão de Congresso sobre impostos

Buenos Aires, 15 jul (EFE).- O ex-presidente da Argentina Néstor Kirchner afirmou hoje que o Governo respeitará qualquer decisão do Parlamento sobre o projeto tributário imposto ao setor rural.

EFE |

O ex-chefe do Estado insistiu que o esquema de impostos móveis às exportações de grãos tem por objetivo "defender a mesa dos argentinos" e voltou a acusar o campo de querer "desestabilizar" o Governo de sua esposa e sucessora na Presidência, Cristina Fernández de Kirchner.

Kirchner foi o orador principal de uma manifestação na praça em frente à sede do Parlamento, um dia antes de o plenário do Senado discutir o projeto tributário, que já tem o sinal verde dos deputados.

Estiveram presentes no ato 300 mil pessoas, segundo os organizadores, e 95 mil, de acordo com fontes estatais extra-oficiais.

"Aqui quiseram destituir o Governo e desestabilizar à pátria", disse o ex-governante referindo-se ao setor agropecuário, que se preparava na zona norte de Buenos Aires para realizar outro grande ato contra a iniciativa oficial.

Kirchner relacionou às patronais rurais com setores que impulsionaram o golpe de Estado de março de 1976 e disse que "falam de democracia, mas fecham estradas, desabastecem os argentinos, queimam os campos e agridem quem pensa diferente".

O titular do Partido Justicialista convocou o povo a "ajudar" Cristina, a quem considerou "uma mulher com coragem, disposta a transformar o país".

O ato contou com a adesão da Confederação Geral do Trabalho (CGT), a maior central sindical do país, cujos filiados abandonaram suas tarefas ao meio-dia de hoje para se juntar à manifestação governista.

O conflito entre o campo e o Governo começou em 11 de março, quando o Ministério da Economia ditou uma resolução pela qual criou impostos móveis às exportações de trigo, soja e milho.

A rejeição ao novo esquema tributário gerou quatro greves comerciais, bloqueios de estradas, mobilizações e desabastecimento de alimentos e insumos para a indústria. EFE cw/rb/plc

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