Ex-presidente Kirchner diz que comprou US$ 2 mi para adquirir hotel

O ex-presidente da Argentina Nestor Kirchner divulgou, nesta terça-feira, uma carta na qual justifica a compra de quase US$ 2 milhões (cerca de R$ 3,66 milhões), alegando que pretendia usar o dinheiro para adquirir um hotel no sul do país.

BBC Brasil |

AP
O ex-presidente Nestor Kirchner
O ex-presidente Nestor Kirchner
A compra dos dólares foi criticada por setores da oposição argentina que acusaram o ex-presidente de ter tido "informação privilegiada" por ser casado com a presidente, Cristina Kirchner, e por ter realizado a transação cambial em outubro de 2008, antes da valorização do dólar frente ao peso, durante a crise financeira global.

"Diante de versões jornalísticas mal intencionadas, que afetam minha honra, desminto formalmente os comentários citados", diz Kirchner num e-mail que enviou ao comunicador Víctor Hugo Morales, da rádio continental.

Segundo ele, a compra do pacote acionário do Hotesur S.A., proprietário do hotel Alto Calafate, está declarada em seu imposto de renda de 2008. O hotel fica localizado na Patagônia, no extremo sul do país.

"Para pagar esta aquisição, comprei dólares nos dias 9, 15 e 23 de outubro até completar os US$ 1,9 milhão, dentro do limite permitido para as pessoas físicas, mensalmente", disse Nestor Kirchner.

O ex-presidente indicou ainda que não teve informação privilegiada. "Obviamente não existiu a possibilidade de benefício cambiário, já que o pagamento realizado foi na mesma moeda pela qual se concretizaram tais aquisições de divisas", disse.

Lista

Na semana passada, o então presidente do Banco Central, Martín Redrado, afirmou que divulgaria uma lista com nomes de "pessoas ligadas ao poder" que teriam comprado dólares antes da desvalorização do peso. Poucos dias depois, no domingo, os jornais Perfil e Clarín divulgaram que Kirchner faria parte desta lista de Redrado.

O economista renunciou ao cargo na última sexta-feira, após ter resistido ser demitido pela presidente, argumentando, com ações na justiça, que esta decisão caberia ao Congresso Nacional.

A expectativa é que os parlamentares emitam uma definição sobre a situação de Redrado nesta terça-feira, mas ele já é considerado, na prática, ex-presidente, como ele mesmo disse a diferentes meios de comunicação da Argentina.

O deputado opositor, da Coalición Cívica, Juan Carlos Morán, criticou a transação financeira realizada por Nestor Kirchner e afirmou que a oposição entrará na Justiça contra a medida.

"O Código Penal prevê sanções para o funcionário público que, com fins de lucro, utiliza para ele ou para terceiros informações ou dados de caráter reservado que tenha tido acesso devido ao cargo que ocupa", disse Morán a edição online do jornal La Nación.

Na segunda-feira, os ministros da Economia, Amado Boudou, e da Casa Civil, Aníbal Fernández, afirmaram que Kirchner não teria desrespeitado a lei, já que a operação cambial obedeceu ao teto dos US$ 2 milhões.

Recentemente, a Justiça arquivou uma investigação contra o casal Kirchner por enriquecimento. Em 2008, o casal registrou aumento patrimonial de 158%, conforme indicam as declarações de renda.

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