O ex-presidente Eduardo Frei, que governou o Chile entre 1994 e 2000, disputará um apertado segundo turno da eleição presidencial deste domingo com o opositor, Sebastián Piñera. Estou tranquilo, muito contente porque fizemos uma campanha muito boa, disse ele à BBCBrasil nesta sexta-feira.


Segundo ele, se eleito, a relação com o Brasil estará entre suas prioridades. "Temos uma relação muito boa com o Brasil. A relação entre Brasil e Chile é muito importante no contexto da América Latina", afirmou.

Frei é o candidato da governista Concertación, que está há vinte anos na Presidência. Caso seja eleito, ele será o quinto presidente desta frente de centro-esquerda a assumir o poder após o fim do regime de Augusto Pinochet (1973-1990).

Família

Além de já ter governado o país, Frei é filho de um ex-presidente, Eduardo Frei Montalva (1964-1970), do partido Democracia Cristiana - legenda que integra o atual candidato à sucessão da presidente e socialista Michelle Bachelet.

Recentemente, a confirmação de que Montalva foi envenenado nos anos 1980, durante o regime Pinochet, agitou a campanha eleitoral e levou Frei a dizer que se a "direita" estivesse no governo, a investigação sobre o envenenamento do pai não teria sido possível.

Segundo ele, a direita "que apoia" Piñera respaldou o regime Pinochet e foi contra o fim da anistia no país. Esta seria uma das razões pela qual, de acordo com ele, a direita "não deveria voltar a Presidência".

Promessas

Entre as principais bandeiras do candidato do governo estão a defesa dos direitos humanos, a maior presença do Estado na educação e na saúde, e a ampliação de programas sociais adotados no governo da presidente Michelet Bachelet.

"Para gerar mais postos de trabalho temos que ter mais investimentos do Estado. E nisso nos diferenciamos da direita, que defende menos Estado", disse.

Frei repete com frequência que a defesa da área social é um marco da Concertación, assim como a abertura da economia - o Chile é o país que tem maior número de acordos de livre comércio no mundo, mais de 50.

"Nós, da Concertación, multiplicamos a renda per capita e melhoramos o Índice de Desenvolvimento Humano no Chile. Isso seria impensável com a direita", afirmou.

No comitê de campanha de Frei, em Santiago, a expectativa é que os 20% de votos do candidato derrotado no primeiro turno, Marco Enriquez-Ominami, independente e ex-Concertación, sejam transferidos para Frei neste domingo.

"Marco declarou seu apoio a Frei. Ele que é crítico da Concertación, sabe que não é o mesmo se ganhar Frei ou Piñera. Não é o mesmo Frei ou a direita", disse à BBC Brasil o porta-voz da campanha, Ricardo Lagos Weber.

Ominami também disse que os dois candidatos, Frei e Piñera, representam o "passado", mas sinalizou que optaria pelo ex-presidente.

Para o analista político Guillhermo Holzmann, da Universidade do Chile, Frei faz parte da "oligarquia política" no país e é conhecido por já ter sido presidente. Por essa razão, não estaria adequado ao que muitos chilenos querem - "mudanças".

Por isso, tanto ele como o também cientista político Ricardo Israel, da Universidade Autônoma, esta é uma eleição "dividida", mas que conta com alto índice de rejeição a Frei, porque ele já foi presidente.

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