Ex-presidente equatoriano processará Rafael Correa

Lucio Gutiérrez quer que atual presidente prove acusações de que ex-mandatário estaria envolvido em 'tentativa de golpe'

iG São Paulo |

O ex-presidente do Equador Lucio Gutiérrez anunciou nesta quarta-feira em Quito que processará o presidente Rafael Correa por danos morais, por ter tido seu nome ligado a uma tentativa de golpe de Estado.

"O presidente da República terá de provar suas acusações e, desde já, digo ao país que vou apresentar uma queixa por danos morais contra o presidente e seu entorno", disse Gutiérrez ao voltar do Brasil, onde acompanhou as eleições presidenciais de domingo como observador.

AFP
Ex-presidente ressaltou que é preciso derrotar Correa de "forma democrática"
O ex-mandatário, que estava em território brasileiro quando um grupo de policiais equatorianos se revoltou na quinta-feira passada, rejeitou as acusações de Correa, que responsabiliza Gutiérrez e seu partido Sociedade Patriótica pela tentativa de golpe.

"Rejeito as falsas, temerárias e covardes acusações de Rafael Correa", disse à imprensa Gutiérrez, um coronel da reserva do Exército que foi derrubado em abril de 2005 e que é um dos líderes da oposição. Ele enfatizou que "o que houve foi um autogolpe de Estado".

"Não tenho nada contra o presidente Correa, até o convidaria para tomar um café", disse Gutiérrez. E alertou: "Temos de nos unir e derrotá-lo de forma democrática".

Prisões

Também nesta quarta-feira cerca de 50 pessoas foram detidas no Equador acusadas de participação nos protestos que deixaram 10 mortos no país na semana passada. Segundo o ministro do Interior, Gustavo Jalkh, a detenção é "preventiva" e terá duração de 24 horas, até que "outras medidas" sejam determinadas em uma audiência marcada para hoje.

Na noite de terça-feira, o canal de televisão Ecuavisa disse que a Procuradoria havia pedido a prisão de 58 pessoas envolvidas na revolta, e que os nomes dos acusados seria publicado nesta quarta-feira.

Segundo a emissora, entre os detidos está o ex-militar Fidel Araujo, do Partido Sociedade Patriótica (PSP). A polícia também buscou Pablo Guerrero, advogado do ex-presidente Lucio Gutiérrez (líder do PSP), mas não o encontrou.

Os protestos

Na quinta-feira, forças de segurança usaram bombas de gás lacrimogêneo para tentar conter os manifestantes no maior quartel militar de Quito. Ao chegar ao local, o presidente equatoriano, Rafael Correa, foi recebido pelos policiais rebelados com ofensas e pedradas.

Uma bomba de gás lacrimogêneo explodiu a poucos metros do presidente, que foi rapidamente retirado do local por seus guarda-costas e levado para o hospital. Mais tarde, em uma entrevista a uma rádio, Correa afirmou que "policiais rebelados estão tentando entrar no meu quarto, pelo teto". "Se algo acontecer comigo, a culpa é deles", disse ele.

Convocados por membros do gabinete de Correa, simpatizantes se dirigiram ao hospital "para resgatar o presidente", dizendo que havia "gente tentando entrar pelo teto para tirá-lo dali". No caminho, estes entraram em choque com policiais rebelados. No total, Correa passou mais de 12 horas no hospital antes de conseguir ser resgatado.

Após o resgate, Correa disse que "não haverá perdão" para os organizadores do levante. Falando a simpatizantes no Palácio de Governo em Quito, ele afirmou que os responsáveis serão castigados: "Mais do que nunca vamos acabar com estes entreguistas e levar a pátria adiante. Não haverá perdão nem esquecimento", disse.

Ele culpou partidos de oposição e acusou o ex-presidente Lucio Gutiérrez de ser o articulador dos protestos da polícia. "Os [agentes] de Lucio estavam infiltrados ali, incitando a violência", afirmou. Gutiérrez, que está em Brasília, negou ter participação nos acontecimentos. Ele disse que a crise era "um autogolpe de Correa para criar uma ditadura".

*Com EFE, AFP, Reuters e BBC

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